Depois de alguns anos discutindo futebol na crônica, Borba Filho resolveu ser técnico. “Eu achava que tinha capacidade. Mas também achava que tinha que aprender”, diz ele. “E eu aproveitei a amizade que eu tinha com o professor Almir de Almeida. Ele tinha sido supervisor do Coritiba e estava no Fluminense”, conta. “Eu sai do rádio, vendi carro, vendi tudo e fui para o Rio. O Lindolfo Luís (que foi radialista e diretor da Rede Paranaense de Televisão durante por anos) estava no Rio de Janeiro e tinha um apartamento, porque era diretor de uma rede de emissoras. O apartamento ficava na Rua Ribeiro da Costa, em Copacabana. Ele disse: Borba, o apartamento está fechado, então você pode usar. Ele ainda disse que ia me dar um dinheiro para o supermercado, mas vou precisar de notas. Então, eu estava morando no Rio, em Copacabana, com tudo pago e comecei a trabalhar no Fluminense”, diz ele. Para aprender a ser treinador.

“Eu fui aprender com o técnico do Fluminense que era o Telê Santana. Os preparadores físicos eram o Claudio Coutinho, Admildo Chirol e o Carlos Alberto Parreira. O treinador do juvenil era o Pinheiro, que jogou na seleção brasileira de 1954. O Almir de Almeida disse para eles: o Borba é amigo nosso do Paraná”, conta Borba Filho. E foi assim que ele foi assimilando os métodos de trabalho deste grupo que faz parte da linha de frente da história do futebol brasileiro. “Eu ficava no vestiário, prestava atenção na atitude do jogador, como o técnico se comportava e ia anotando tudo. Qualquer dúvida, depois do treino eu perguntava”, disse. “Quando eu não estava com os profissionais, eu estava com o Pinheiro, que sabia muito”, acrescentou.

Sem contar que Almir de Almeida ainda arrumava aulas extras. “Eu assisti a aula da cadeira de futebol dada por Ernesto Santos, catedrático de futebol que integrou as seleções de 1958 e 1962. Eu fiquei quatro meses fazendo este estágio, e por volta de agosto a setembro de 1969, eu voltei para Curitiba”, diz ele. Borba Filho voltou – e como frequentava o Bar do Pasquale, também frequentado pelo presidente do Coritiba, Evangelino Neves, nem precisou procurar emprego. “O Neves me viu, soube que eu estive fazendo estágio no Rio e me convidou para treinar o juvenil do Coxa. Jacob Mehl era o diretor de futebol juvenil. Eu assumi o time na Copa Tribuna. No fim do ano de 1969, fui chamado para treinar a Seleção paranaense que ia participar do Campeonato Brasileiro de 1970, em Santo André. Treinamos no campo do Primavera, aqui em Curitiba. E no campeonato conseguimos o terceiro lugar, que foi a melhor colocação paranaense na competição. Aquele time tinha o Dirceu que veio a ser da Seleção Brasileira, tinha o Levir Culpi e outros que vieram a se destacar no futebol brasileiro”, diz ele.

Depois deste resultado, Borba Filho foi contratado no começo de 1970 para treinar o Londrina de Futebol e Regatas, que foi o seu primeiro clube como técnico profissional. “O Londrina foi o meu primeiro time profissional como treinador. E de cara disputamos uma competição chamada Taça Laudo Natel, que tinha Grêmio Maringá, Londrina, Marília, Corinthians de Presidente e fomos campeões. Eu fiquei quase dois anos no Londrina”, diz ele. E quando voltou para o Curitiba, ele voltou para registrar uma marca história. “Eu voltei para ser o último treinador do Água Verde que mudou de nome para Pinheiros”, conta ele. “Foi então que eu acabei indo para o Ceará”, diz ele, por indicação do técnico Tim. Borba Filho foi indicado para o Ceará, que não o contratou, mas foi contratado por outro time de Fortaleza, o Ferroviário. E foi assim que o técnico se consolidou na nova profissão.

Arquivo

Passagem

No ano de 1979, Borba Filho foi ministrar um curso no Pelé Soccer Camps, em Nova York, durante dois meses, e outro de 15 dias em Trenton, Nova Jersey.