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Alfredo Gottardi, o Caju, foi goleiro da seleção em 1942

O mundo estava de olho na guerra enquanto Caju brilhava nos gramados

  • Por Edilson Pereira

1942. Era o ano da quarta edição da Copa do Mundo. Era para ser no Brasil se o sistema de rodízio, quebrado na edição anterior, fosse retomado e respeitado. Ou na Alemanha, com grande poder político, se Adolf Hitler não tivesse mergulhado o mundo numa guerra que devorou milhões de vidas. O mundo estava de olho na guerra, especialmente na frente russa onde os nazistas levavam um cacete sem tamanho e onde perderiam o conflito. Ainda assim foram realizadas naquele ano duas competições internacionais de futebol.

As duas competições foram em dois pequenos países – Uruguai e Suíça. A primeira foi o Campeonato Sul-Americano e a segunda denominada Copa das Nações, a primeira vencida pelo Uruguai e a outra pela Itália. As duas competições carregaram o simbolismo de serem realizadas num ano que seria, em tempos de paz, de Copa do Mundo. É a magia do futebol que nem a guerra consegue apagar. E foi neste ano, ambiente e circunstância, que o segundo paranaense envergou a jaqueta da seleção brasileira. Seu nome: Alfredo Gottardi, nascido a 15 de janeiro de 1915, em Curitiba, e que defendia as cores do Atlético. Ele, a Majestade do Arco.

Naqueles anos 40, o selecionado argentino era tido pelos especialistas como o mais preparado e favorito não apenas para abiscoitar o Campeonato Sul-Americano, como também a Copa do Mundo se ela fosse realizada. Coube ao técnico Adhemar Pimenta, que tinha levado a seleção a um inédito terceiro lugar na Copa de 1938, na França, organizar o time para o campeonato no Uruguai. No começo de janeiro de 1942, Pimenta tinha quatro opções para o gol: Jurandir, Caju, Joel e Aymoré. Ele tinha preferência pelos dois primeiros, com Jurandir titular – mas ele lesionou o tornozelo. Pimenta optou por promover Caju para o time principal. Os jornais noticiaram: “Caju, o grande goleiro do Paraná, guarnecerá as redes brasileiras em todos os compromissos do Brasil”.

Além de Caju, o escrete contava com outro jogador paranaense – também atleticano, o lateral-esquerdo Joanino. O jornal Diário da Tarde, em sua edição do dia 5 de janeiro, estampava na primeira página: “Caju e Joanino ‘stratchmans’ nacionais”. Caju não era um goleiro alto, tinha 1m75, mas era ágil. O Brasil não foi campeão naquela competição, ficou em terceiro lugar, mas Caju fez bonito. Conta-se que na partida contra a Argentina, a que selou o destino do Brasil na competição e que foi vencida pelos hermanos por 2×1, a atuação de Caju foi tão impecável que o goleiro argentino Vaca atravessou todo o campo para lhe cumprimentar por uma defesa considerada excepcional. A competição serviu ainda para que Caju conquistasse o título de melhor goleiro da América do Sul.

Divisão

Embora as preocupações diárias da população e também dos jornais fossem com a guerra, a presença dos paranaenses Caju e Joanino na seleção foi acompanhada com atenção pela imprensa da capital.

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