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Feras do Paraná

Batendo pra valer

Paranaense é a única brasileira campeã mundial de boxe feminino

  • Por Edilson Pereira

A paranaense Rosilete dos Santos subiu ao ringue armado no Centro de Excelência de Basquetebol de São José dos Pinhais no dia 28 de junho de 2013, uma sexta-feira, para a sua última luta como boxeadora da categoria Super-Mosca contra a argentina Silvia Beatriz Lescano, também conhecida como La Canoñera. A paranaense, que era campeão mundial da categoria pela WIBA (Women’s International Boxing Association), venceu por nocaute técnico e encerrou a carreira iniciada com duas derrotas contra uma mesma oponente: a argentina Patrícia Alejandra Quirico. No entanto, Rosilete deixou marcado seu nome no boxe, um esporte em que o Brasil forjou poucos grandes como Eder Jofre e Miguel de Oliveira, para ficar nos principais. Com um detalhe: no boxe feminino.

Esta história de uma garota que iniciou no boxe amador em 2001, começa no dia 25 de julho de 2003 no Club Justo José de Urquiza, em Caseros, Buenos Aires, quando treinada pelo seu marido Macaris do Livramento, Rosilete estreia no boxe profissional. Ela perdeu a luta por nocaute. Mas teria uma revanche no dia 6 de dezembro do mesmo ano no Gran Hotel Casino de Iguazu, em Puerto Iguazu, Missiones, também em território argentino. Nova derrota, desta vez por nocaute técnico. As duas derrotas foram digeridas porque a próxima adversária, a também argentina Laura Contreras foi a nocaute no dia 12 de dezembro de 2003 e a adversária seguinte, Graciela Conti, outra argentina, também foi nocauteada no dia 15 de maio de 2004. Detalhe: as duas últimas foram realizadas no Brasil, a primeira em Balsa Nova e a segunda em Campo Largo.

A partir daí, Rosilete emendou uma sequência de oito vitórias que a credenciaram a disputar o título mundial da categoria contra a bielorussa Alesia Klimovich que usava o nome de Alesia Graff, também conhecida como A Tigresa e que mora na Austrália. Detalhe: o título na categoria Super-Mosca era válido por duas entidades, a Global Boxing Union Female World e a Womens International Boxing Federation Word. Alesia ganhou por nocaute técnico, o que não surpreende porque se tratava de uma lutadora experiente, sempre disputado o título da categoria e que só recentemente entrou em declínio. Rosilete fez e venceu uma luta no dia 17 de setembro de 2008, contra a argentina Paula Monteiro, em São José dos Pinhais, conquistando o título de peso Galo feminino pela desconhecida Comissão Mundial de Boxe.

Em seguinte fez mais duas lutas e mais uma vez disputou o título mundial: agora do peso Super-Mosca contra a argentina Carolina Marcela Gutierrez, no dia 17 de outubro de 2008. Desta vez a derrota foi por pontos. As duas derrotas na disputa do título ensinaram a lutadora que era necessário um planejamento mais forte. Ela engatou nove vitórias e no dia 20 de agosto de 2010, enfrentou a argentina Marcela Eliana Acuna no Estádio Polideportivo Cicuentenário de Formosa, na Argentina. Mais um nocaute técnico para La Tigresa, como a argentina era denominada. Esta foi a última derrota, das cinco sofridas por Rosilete em sua carreira, levando em conta que três foram em disputas de título e as duas no início de sua carreira. Com a orientação do campeão mundial do pelos médios-ligeiros, Miguel de Oliveira, ela partiu para novos desafios. E desta vez ela se deu bem.

No dia 2 de julho de 2011, a brasileira enfrentou e derrotou por pontos a uruguaia Maria José Nunes, denominada La Panterita e conquistou ao título mundial da categoria, que se encontrava vago. Em 10 de dezembro de 2011, Rosilete enfrentou a colombiana Paulina Cardona, também conhecida como La Niña e a derrotou também por pontos. Esta luta teve duas consequências: além de manter o título, ela unificou os de duas associações, a Women’s International Boxing Association (Wiba) e a World Pugilist Comission (WPC). A brasileira voltou a enfrentar Maria José Nunes mais uma vez pelo título mundial no dia 29 de junho de 2012, vencendo La Panterita, também por pontos. Todas estas lutas aconteceram em São José dos Pinhais. Ela fez ainda mais duas lutas e pendurou as luvas como a única brasileira campeã mundial pelo boxe feminino.

Miguel de Oliveira

Treinador e ex-pugilista que orientou Rosilete dos Santos, Miguel de Oliv,eira foi um dos quatro brasileiros a conquistar um cinturão mundial de uma grande entidade como treinador. Ele foi campeão médio-ligeiro pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB), em 1975.

Yankovich

Outro grande nome das artes marciais nacional é Duda Yankovich, sérvia naturalizada brasileira. No dia 10 de julho do ano passado a lutadora do MMA nacional sofreu AVC (Acidente Vascular Cerebral) quando chegava para treinar na Academia Team Nogueira, no Rio de Janeiro. Ela foi socorrida por Rodrigo Minotauro. Atualmente Duda treina a atleta do UFC Miesha Tate.

Menina de Ouro

Embora o boxe feminino não tenha tanta tradição quanto o boxe feminino, o diretor e ator Clint Eastwood conseguiu fazer em apenas 37 dias em 2004 um filme espetacular sobre o tema e com ele ganhar quatro Oscars de 2005: Melhor Filme, Melhor Diretor (Clint Eastwood), Melhor Atriz (Hilary Swank que interpreta a lutadora Maggie Fitzgerald) e Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman). O nome do filme é Million Dolar Baby e no Brasil ficou conhecido como Menina de Ouro. É um filme muito triste e dramático como, aliás, muitos outros filmes de boxe, com exceção dos feitos por Sylvester Stallone.

Boa de briga

No entanto, antes do filme de Eastwood, outro filme sobre boxe feminino chamou atenção. Trata-se de Girlfight, que no Brasil se chamou Boa de Briga e foi estrelado por Michelle Rodrigues, que conta a história de uma adolescente problemática e agressiva que se torna boxeadora. Este foi o primeiro filme do diretor Karyn Kusama e também o primeiro papel da atriz.

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