Tudo começou em 1974 quando Rinaldo Anciutti Caggiano tinha nove anos e morava em Curitiba, cidade onde nasceu no dia 22 de outubro de 1964. O garoto era meio desengonçado e sem habilidades naturais e o pai, Almir Caggiano, levou-o juntamente com o seu irmão Paulo, quatro anos mais velho, para uma academia de judô no centro da cidade. Se o garoto não levava o judô muito a sério, o seu sensei Kenjiro Hironaka tratou de incutir noções de disciplina, de moral e a parte filósofica que acompanha esta luta oriental.

Através do judô, o garoto pegou gosto por outros esportes como volei, tênis, futebol, para ficar nos principais. “Foi assim que me tornei atleta porque amava fazer todos os tipos de esportes, embora o judô fosse o principal entre eles”, diz Caggiano, que hoje mora no Canadá, onde é professor deste esporte. Ele destaca que “no começo eu tive uma boa formação técnica e apoio de minha família. Isso foi o essencial”. Com quinze anos, ele já se destacava e participou do campeonato brasileiro juvenil. “Como o volei era mais fácil e prazeroso, eu pedi para o meu pai para largar o judô”, conta ele. A resposta do velho foi meio no estilo oriental: “Quando você tiver mais maturidade, você irá decidir o que fazer no futuro”.

Em 1980, ele foi vice-campeão brasileiro de judô e no ano seguinte decidiu que seu negócio era este esporte. Em 1983, com 18 anos, ganhou duas vezes o campeonato brasileiro de judô, júnior (foto) e universitário. Ninguém e nada mais tiravam o judô da vida de Caggiano. Entre 1985 e 1992, defendeu as cores do Brasil pela seleção nacional. Foram sete anos de sacrificio e literalmente de muita luta. “Por ser paranaense, tive que viajar muito a São Paulo e Rio de Janeiro para treinar com a nata do judô brasileiro”, conta ele. “Atletas como Aurélio Miguel e Rogério Sampaio, dois campeões olímpicos, Sérgio Pessoa, campeão da Copa Jigoro Kano, Sergio Sano, Frederico Flexa, atletas olímpicos, foram essenciais na minha vida como atleta”, reconhece Caggiano que hoje tem 51 anos.

Não apenas estes. “Paranaenses como Rogério Cherobim, Rubens Tempski, Cassio Camargo Ferreira, foram amigos de batalha e motivação. Mais tarde, comecei a treinar com o técnico Ney Mecking, a quem agradeço os ensinamentos”, diz ele. E se alguém perguntar qual foi a sua luta mais importante, ele tem a resposta pronta: “Foi contra o japonês Osako, considerado um dos melhores do mundo. Luta durissima, movimentada. Derrubei-o logo no início e aguentei até o fim. Ganhei a luta. Quando saí da área de competição todos os técnicos japoneses olhavam para mim e perguntavam: que é esse brasileiro?”. Isto não tem preço.

Quanto à medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis em 1987, Rinaldo Caggiano diz que ela foi importante para divulgar a sua imagem. No entanto, “a competição mais importante para mim foi a Copa Jigoro Kano, no Japão, em 1986. Naquele ano era considerado o torneio mais difícil do mundo. Fiquei em quinto lugar e recebi troféu de atleta revelação na minha categoria”, diz ele. Afinal, “o Japão é o berço do judô. Ir lá e ganhar do melhor deles, foi fantástico para mim”, relembra ele ainda hoje com grande prazer.

O mestre nunca parou

Praticando o judô há 41 anos, Rinaldo Caggiano começou a treinar numa academia do centro de Curitiba e depois passou para o Clube Curitibano (foto). Ele se desenvolveu, foi vitorioso e hoje mora em Edmundston, no Canadá, onde é professor (sensei – foto). “Na minha experiência como sensei, eu digo que no Brasil, como eu não fazia parte da política do estado, não era valorizado por tudo que fiz. No Canadá, eu fui valorizado. Aqui não preciso da política para ser reconhecido. No ,Brasil me parece que a política tem um valor extremo. Esse é um grande erro”, diz Caggiano. “Estou aqui há 6 anos e oito meses e tento fazer aquilo que o judô ensina: ajudar o ser humano a ser melhor e consequentemente a criarmos uma sociedade mais justa e alegre. Acredito que fiz uma boa escolha em ter largado uma grande empresa para hoje ser um instrumento de ajuda a muitas pessoas usando o judô como ferramenta”. No judô, este princípio tem um nome: Jita Kyoei.