Não há na história um jogador maior que Alex que atuou nos dois maiores clubes brasileiros que um dia se chamaram Palestra Itália, Palmeiras e Cruzeiro. O armador teve três passagens pelo alviverde de São Paulo: de 1997 a 2000, em 2001 e em 2002. Ele foi o camisa 10 no principal título do clube, a Libertadores em 1999, além da Copa do Brasil e da Copa Mercosul de 1998, sem contar o torneio Rio-São Paulo de 2000. A torcida não esquece o chapéu que deu no goleiro Rogério Ceni do São Paulo, no Morumbi, em 2002. Enfim, a torcida alviverde de São Paulo tem muitos motivos para não esquecer o meia e para coloca-lo no panteão de grandes ídolos do time. Por isso o primeiro jogo de despedida de Alex aconteceu no novo Allianz Park, em São Paulo.

No dia 28 de março desse ano, uma galeria de grandes jogadores de três países entrou em campo para o jogo de despedida – mais dois estão previstos para Belo Horizonte e na Turquia. Entre as feras que foram ao último jogo de Alex com a camisa do Palmeiras, no banco estavam Felipão de um lado e Zico de outro. Em campo estavam Ademir da Guia, Edmundo, Aristizabal, Junior Baiano, Rivaldo, Evair, Roque Junior, Sorin, Tcheco, Paulo Nunes, além do goleiro Rustu, titular de seu país na melhor participação turca na Copa do Mundo em 2002. E muitos outros. Passada larga, cabeça em riste e sutileza no toque com a bola que impressionava. Assim Alex era definido. Ninguém no Palmeiras chegou tão perto do grande Ademir da Guia, quanto ele na áreas do campo em que ambos atuavam.

Depois de fechar um ciclo no Palestra Itália de São Paulo, Alex foi para outro ex-Palestra Itália. Agora, o de Belo Horizonte. No Cruzeiro ele escreveu com a bola mais uma bela página na carreira e na história do time da Toca da Raposa. “O meu período no Cruzeiro se destaca porque embora fosse mais curto que no Palmeiras, foi intenso com vários títulos”, disse. Sim. Ele tem razão. Com quase metade do número de jogos disputados pelo Palmeiras, com a camisa do Cruzeiro, Alex por pouco equiparou o número de gols e de assistências do Palestra de São Paulo. Ele foi artilheiro e abiscoitou quatro títulos. Alex teve ainda breve passagem pelo Flamengo. Coisa para esquecer. Ele mesmo usa uma palavra dura: “Fracassei”. E explica as razões: “Fiquei dois meses. Estava num momento ruim de minha carreira. Não joguei nada”. Coisas do futebol. Mas nada que macule sua história. Até porque ele teria ainda pela frente uma passagem consagradora na Turquia.

Chapéu em Rogério Ceni

No dia 20 de março de 2002, o Palmeiras enfrentou o São Paulo no Morumbi pelo Torneio Rio-São Paulo. O alviverde ganhou por 4 a 2, mas esta data ficou marcada na torcida do Palmeiras e também na carreira de Rogério Ceni pelo gol de placa de Alex, com direito a dois chapéus antes da conclusão. “Eu trabalho muito com a relevância do gol. Neste jogo, o lance foi lindo, mas não vale nada”, diz ele, ressaltando que “meu melhor jogo no Palmeiras foi contra o River Plate no dia 26 de maio de 1999, no Palestra Itália, pelas Semifinais da Taça Libertadores da América”. O Palmeiras venceu o time argentino por 3 a 0 e Alex marcou o primeiro gol aos 16 minutos e o terceiro aos 42 do segundo tempo. Neste ano o Palmeiras conquistou o título da competição pela primeira e última vez.