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Painel do Crime

‘Japonês’ no cemitério

Homem mata vizinho e deixa muletas para fugir

Briga começou pela falta de um espaço para crianças brincarem na rua

  • Por Márcio Barros, O Estado Do Paraná

Uma briga de vizinhos acabou em morte no Jardim Europa, em Fazenda Rio Grande, na tarde de ontem. Claudemir de Abreu, 33 anos, conhecido como “Japonês”, foi executado com vários tiros de pistola, por volta das 14h30. O assassino, identificado apenas como “Gaúcho”, estava com um ferimento na perna e, por conta disso, usava muletas. Na pressa de fugir, as abandonou na sala de um sobrado, por onde tentou escapar pelo matagal dos fundos.

De acordo com testemunhas, a briga entre os dois começou há algum tempo, por conta da falta de um espaço destinado aos meninos da rua brincarem. Por causa disto, as crianças utilizavam um terreno baldio próximo ao sobrado de um deles e, frequentemente, a bola caia em uma das propriedades. Além disto, a parede da casa também era usada como trave.

Na tarde de ontem, “Japonês” decidiu tentar um diálogo com “Gaúcho”. O mestre de obras Natalino Godói conhecia “Japonês” e contou que era uma pessoa tranqüila, não tinha inimigos e resolvia tudo na conversa, exceto, quanto estava bêbado. “Ele não tinha bebido muito. Disse que ia conversar com o vizinho”, contou Natalino.

Duelo

O relato dos moradores da rua à polícia foi de que “Japonês” e “Gaúcho” se encontraram no meio da rua, bem em frente à casa do mestre de obras. A cena pareceu um duelo, com “Japonês” se armando com um soco inglês, enquanto o vizinho, com a aparência frágil, andando lentamente com o apoio das muletas, demorou para chegar onde ele estava. Sem que a vítima pudesse tentar reação, “Gaúcho” deixou a muleta direita cair e, com a rapidez vista somente nos filmes de bang-bang, apoiou-se na outra, sacou a pistola e efetuou os disparos. Ao lado do corpo havia mais de oito cápsulas.

Como num milagre, o assassino fugiu levando a pistola e deixando as muletas para trás, na sala da casa de Natalino. Ele entrou pela porta da frente e saiu pelos fundos, até desaparecer em um matagal.

A tenente Francielle Hoflinger, do 17.º Batalhão da Polícia Militar, disse que o crime começou com uma discussão banal e foi tomando proporções maiores, até acabar em tragédia. “Uma série de problemas. A falta de estrutura do bairro fez com que as crianças brincassem em um local improvisado, que não era do agrado do morador, e enfim. Faltou tolerância para os vizinhos, entendimento e acabou dessa forma. Nossas equipes estão atrás do autor, mas as investigações já estão sendo feitas pela delegacia do município”, completou a tenente.

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