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A mistura sonora da banda Confraria da Costa

  • Por Paula Melech

O som da Confraria dos Irmãos da Costa – ou simplesmente Confraria da Costa – está longe de qualquer experiência musical habitual. A banda curitibana enfrentou o desafio de unir referências que vão da originalidade do norte-americano Tom Waits, com sua voz rouca e letras intrigantes, até a multiplicidade de Andrew Bird, com sua mistura inusitada de instrumentos.

Ambientada em uma temática de piratas, o primeiro CD homônimo da Confraria da Costa aposta em uma sonoridade com caráter próprio que une bandolim, flauta e violino tendo como base o bom e velho rock and roll. O resultado é um som meio punk- rock cigano ao estilo de Gogol Bordello, que traz ao nosso tempo o clima dos piratas que viviam no século XVI.

Enquanto resgatam o ambiente dos marujos, a Confraria se revela crítica e irônica nas letras das canções. Em Certamente a mente mente, o trocadilho de palavras denuncia o teor crítico do trabalho: “Mente com os olhos vendados/Com os dois pés amarrados/Mente até de trás pra frente/Cegamente a mente mente”.

Com forte influência de Waits, em Confidencial, o compositor Ivan Halfon mostra uma faceta mais pessoal, o homem que procura o auto-conhecimento. “Tranquem a porta da minha casa/Depois preguem as janelas/Por uns tempos, eu acho/vou me ausentar”.

O processo de composição geralmente começa pela melodia ou a intenção vem do próprio título das músicas. “Em muitos casos, foi o nome da canção que deu a ideia para a letra. Mas a primeira música [Canto dos piratas] surgiu a partir de um poema”, conta Halfon, que também é vocalista, toca flauta e violão.

No álbum, o repertório mistura estilos de música cigana, polkas, csárdás (um tipo de dança húngara) e cabaré. O vocalista divide a instrumentação com Marcelo Stancatti (guitarra e bandolim), Jan Kossobudzki (violino), Pantaleoni (baixo) e Abdul Osiecki (bateria).

A belíssima ilustração da capa tem uma homenagem a Tom Waits, que aparece encostado no balcão do bar. A arte é de responsabilidade da Cia. de Canalhas, representada por Carlon Hardt e Lucas Fernandes.

A ideia de uma banda que tivesse referências nos piratas não foi proposital. “A gente queria fazer algo diferente. No começo até tentamos outras coisas, mas deu certo quando chegamos nesse tema”, diz o compositor. Os shows da banda são verdadeiras performances musicais, com claras referências a Gogol Bordello.

A banda enfrentou o desafio de unir opções estéticas nem um pouco óbvias e lançar o primeiro álbum de forma independente. E deu certo. No show de lançamento oficial, que aconteceu no mês passado, o CD foi generosamente bem recebido pelo público.

Prova disso é que Confraria está com a agenda lotada de shows e ainda este mês (dia 24) lança o segundo CD, Piratas ao vivo, pelo projeto A grande garagem que grava, no Teatro Universitário de Curitiba – TUC. O álbum traz oito canções inéditas e segue a linha do primeiro trabalho.

Enquanto o disco ainda não tem uma estratégia de distribuição bem definida, está disponível no myspace.com/confrariadacosta e myspace.com/confrariadacosta.

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