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De Letra

Adeus!

Domingos Moro, campeão nos tribunais, lutador na vida

Advogado e dirigente, que faleceu neste domingo (12), deixa uma lacuna de referência no futebol paranaense, difícil de ser reparada

  • Por Cristian Toledo
Apaixonado pelo Direito, Moro se emocionava nas vitórias nos tribunais, como nesta defesa do Rio Branco. Foto: Arquivo

“Domingos Augusto Leite Moro”. Ele gostava de ser anunciado pelo nome completo, tanto nos tempos de dirigente como depois, nos tempos de advogado esportivo. Era vaidoso, não negava isso e cultivava essa vaidade. Aparecia mesmo, falava com jornalistas, não fugia das polêmicas, estava nas manchetes. Quase sempre acertava. Tinha dificuldade em admitir seus erros, mas depois de uma conversa, confessava onde tinha falhado. Mas rapidamente retomava o assunto para os seus acertos. Esse era Domingos Moro, que morreu no domingo (12), em seu apartamento no Rio de Janeiro.

Foi um choque para todos. Por volta de 15h45 do domingo, já na cabine da RPC na Vila Capanema, recebemos o recado da repórter Nadja Mauad, que informava o pipocar da informação entre os colegas de rádio. Vinha do Rio, do Wellington Campos, que parece saber tudo que acontece por lá. Nossa turma na redação, Gisele Rech e Carlos Bório, voou atrás da confirmação. Mas a ficha caiu para todos quando os clubes começaram a divulgar as notas oficiais. Jornalistas, dirigentes, atletas, amigos trocavam mensagens, todos perplexos. “Mas como aconteceu isso?”.

É uma reação que ressalta a importância de Domingos Moro para o futebol paranaense neste século. Sua história com o esporte vem de antes. Afinal, é descendente de Amâncio Moro, que foi presidente do Coritiba e hoje dá nome à uma das ruas que circunda o Couto Pereira. Jovem, já foi eleito conselheiro do clube e começou a ser chamado para ser dirigente do clube. Foi aprendendo como conviver nos bastidores do futebol – mas talvez faltou saber a última regra, de que tudo é válido em nome do poder.

Ficou afastado do dia-a-dia do Coxa por alguns anos e retornou com tudo em 2002. Passou a ser, mesmo como secretário do Conselho Administrativo, o dirigente mais popular do clube. Muito mais do que o então presidente Giovani Gionédis. Pelo desconhecimento dos outros cartolas, assumiu o futebol, e no período em que ficou no Alto da Glória, foram dois títulos estaduais e a conquista a vaga na Libertadores com o quinto lugar no Campeonato Brasileiro de 2003.

Na hora em que o clube precisava de sua ajuda em outros “palcos”, ele colocava a toga e ia para a luta. Em 2004, conseguiu a absolvição de Aristizábal antes das finais do Paranaense em um julgamento teatral, em que fez os auditores praticamente pedirem desculpas ao atacante colombiano por terem colocado-o ali no banco dos réus.

Não foram somente flores. Domingos Moro teve problemas com jogadores e principalmente com o técnico Paulo Bonamigo, um dos responsáveis por aquele ótimo momento. Mesmo assim, o saldo foi positivo, mas o desgaste era inevitável. Ainda mais com a clara exposição dele em relação aos outros cartolas. Havia ciúme dentro da diretoria do Coxa. Moro foi se afastando até definitivamente sair em 2005. Passou a exercer apenas o papel de advogado esportivo.

Moro em ação no Caso Bruxo, em 2005. Foto: Arquivo

Moro em ação no Caso Bruxo, em 2005. Foto: Arquivo

E virou referência. Tanto que foi contratado pelo maior rival do Coritiba, o Atlético. Tinha total confiança de Mário Celso Petraglia, e conseguiu livrar o Furacão de algumas broncas pesadas. Também trabalhava para outros clubes, e em 2011 salvou o Rio Branco do rebaixamento no Campeonato Paranaense – e, por tabela, derrubou o Paraná Clube. Era respeitado dentro do STJD, como os jornalistas do Estado que iam ao Rio de Janeiro percebiam quando precisavam acompanhar algum julgamento mais rumoroso, como o do Caso Bruxo.

Sonho desfeito

Mesmo assim, Domingos Moro ainda tinha um sonho. Era ser presidente do Coritiba. Em 2007, estava muito perto disso. Disputava a eleição contra João Carlos Vialle, apoiado por Giovani Gionédis, e Jair Cirino dos Santos, uma espécie de “terceira via”. Era o favorito. Até chegar a sexta-feira que antecedeu o domingo do pleito. Por volta das 17h, foram entregues em todas as redações de Curitiba envelopes fechados com depoimentos de atletas e textos que atacavam diretamente a moral de Moro.

Ao lado do ex-assessor de imprensa Sandro Gusso, Moro rebateu as acusações do dossiê na redação da Tribuna. Foto: Arquivo

Ao lado do ex-assessor de imprensa Sandro Gusso, Moro rebateu as acusações do dossiê na redação da Tribuna. Foto: Arquivo

Não me lembro de uma campanha tão baixa, de uma ação difamatória tão pesada nos 21 anos em que vivo nesse mundo louco do futebol. DVDs, CDs e cartas tinham um único objetivo – destruir Domingos Moro e tirá-lo do páreo da eleição. Ninguém assumiu a autoria do “dossiê”, mas todo mundo imaginava quem tinha feito. Moro partiu para uma desesperada corrida para conversar com os jornalistas. Eu tocava o fechamento de O Estado do Paraná quando ele entrou na nossa antiga redação lá na Vista Alegre.

Conversou com toda a nossa cúpula – Armindo Berri, Rafael Tavares, Luiz Augusto Xavier, Chico Assis, Mussa José Assis – e com os repórteres Cahuê Miranda, Gisele Rech, Irapitan Costa e Carlos Bório. Estava destroçado. Não imaginou que chegariam a esse ponto por causa de uma eleição de clube. Domingos Moro não estava sorrindo. Estava lá defendendo o ser humano, não a personalidade do futebol.

Perdeu a eleição. Vialle não ganhou. Ganhou Cirino, a terceira via. Moro, conselheiro vitalício, seguiu participando da vida do clube, mas sem o brilho de antes. Este estava guardado para o STJD e para a defesa do Atlético. O sonho de ser presidente do Coritiba, no entanto, não tinha saído dele. Certamente passava por sua cabeça quando seu coração parou de bater com apenas 57 anos. Cedo demais.

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14 Comentários em "Domingos Moro, campeão nos tribunais, lutador na vida"


Christovam
Christovam
2 meses 11 dias atrás

Grande Advogado defendeu todos os Clubes indistintamente de sua preferência pessoal, tomara que seu legado possa deixar ensinamentos aos que vierem a substituí-lo.

Marcos O Fera
Marcos O Fera
2 meses 12 dias atrás

Grande advogado, mas os garotos da base do Coritiba que o digam, as “festinhas” e orgias proporcionadas por Moro.

ALEMÃO FURACÃO
ALEMÃO FURACÃO
2 meses 12 dias atrás

Um coxa branca que sempre admirei. Soube sempre separar o lado profissional do torcedor passional. O Chico perdeu a oportunidade de ter um grande presidente que poderia fazer o chiquito alcançar o furacão. Vá com Deus e descanse em paz.

Roberto Fagundes
Roberto Fagundes
2 meses 12 dias atrás

Poderia ser presidente do Coritiba, poderia mas os ladrões que circundam o Alto da Glória conseguiram afastar esse cara prá sempre desse clube; e aí está o resultado: time quebrado, falido, mal administrado e que querem ser dirigentes prá levar vantagens em negócios mal explicados!

Marcos Lopes
Marcos Lopes
2 meses 12 dias atrás

Do falecido num diz nada, de quem critica um monte de bla bla bla rançoso e ranhento. Aposto que é da turma que sacaneou o cara, prar ter ficado tão ofendida.

Elcio
Elcio
2 meses 12 dias atrás

Para o Petraglia aceitar um Coxa-branca de coração é porque merece respeito.

Cid
Cid
2 meses 12 dias atrás

Procure urgente um(a) psicólogo Mr. Gadiego, você é um doente, a conversa não foi com você mais como mosca de carniça está em todas, parece rapariga com ciúmes. Se manca Manézão,seu relacionamento social deve ser coisa de filme de terror.

Gárgula
Gárgula
2 meses 12 dias atrás

Sou Atleticano e esse cara sempre teve meu respeito.

Paulo Cesar
Paulo Cesar
2 meses 12 dias atrás

Grande figura do futebol paranaense e brasileiro. Um cidadão que fazia de sua profissão uma verdadeira obra de arte para salvar os seus clientes de uma bela ferrada. Como atleticano só tenho a agradecer pelos bons serviços prestados ao Atlético e meus respeito por ser um adversário honrado.

Marcos Lopes
Marcos Lopes
2 meses 12 dias atrás

O D. Moro foi um dos melhores presidentes do coxa, mas como ele tinha uma política de aproximação entre os clubes da capital foi praticamente expulso do clube pela maioria verde rançosa. Desde então os verdugos mancam de ré, acreditando que torcer contra os rivais melhora sua condição.

Cid
Cid
2 meses 12 dias atrás

Parece que é isso que você faz diariamente Sr.Marcos com seus comentários de ódio contra a torcida do Coritiba, neste seu comentário nos chama de verdugo e verde rançosa. Olhe-se no espelho e veja quem realmente você é, e pense antes de postar, a hipocrisia é típica de seres fracos.

Brenno Arcie
Brenno Arcie
2 meses 12 dias atrás

A verdade doi SID .. leia a matéria .vc não lembra. mas foi assim mesmo .. os lixos que tava no coxa tiraram ele de lá . a maioria que ele fala não é os torcedores, mas a maldita diretoria da época ate os rivais ficaram indignados na época ´com esse ataque covarde . interpretar texto é bom né

Paulo Zielony
Paulo Zielony
2 meses 12 dias atrás

Ele nunca foi presidente mas gostaria de ter sido.

Marcos Lopes
Marcos Lopes
2 meses 12 dias atrás

vou repensar toda minha existencia… deixa ver… acho que a carapuça serviu

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