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São José dos Pinhais

Aguenta, coração!

Foto: Felipe Rosa.
Maria Luiza Piccoli

Uma cirurgia cardíaca a cada dois anos, até o fim da vida. Esse foi o prognóstico dado pelos cardiologistas da UTI neonatal sobre o futuro do pequeno Benício. Nascido no dia 28 de março desse ano, o menino chegou ao mundo sabendo que teria de lutar para viver. Hoje, aos oito meses, ele contabiliza três procedimentos cirúrgicos no coração e um cateterismo. A saúde frágil se faz notar pelo fôlego curto e cansaço fácil, mesmo sem fazer muito esforço enquanto brinca sob o olhar preocupado da mãe, a atendente de telemarketing Gisele Pereira.

Após uma gravidez tranquila, a jovem de 25 anos viu o pesadelo começar logo nas primeiras horas depois do parto. “Levaram o Benício para fazer os exames de praxe e não trouxeram de volta. Quando o pediatra veio sem meu bebê eu vi que algo estava errado”, lembra. Com os exames em mãos, o médico trouxe más notícias à mãe. Benício era portador de uma série de más formações congênitas que comprometeriam a saúde do menino pelo resto da vida. No diagnóstico, nomes de cardiopatias desconhecidas até então pela família, entre elas a Transposição das Grandes Artérias (TGA), que consiste na inversão das veias que transportam o sangue rico em oxigênio para o organismo.

Foto: Felipe Rosa.

Foto: Felipe Rosa.

Em pessoas normais, o sangue pobre em oxigênio é transportado por uma artéria situada do lado direito do coração para os pulmões, onde então recebe oxigenação. Em seguida, outra artéria, localizada do lado esquerdo do coração recolhe o sangue dos pulmões e distribui para o resto do corpo. Nos pacientes que sofrem de TGA isso acontece de forma invertida, ou seja, a artéria direita envia o sangue sem oxigênio para o corpo, e não para o pulmão, o que faz com que o coração tenha o dobro do trabalho. Os sintomas principais incluem falta de ar, fadiga e cianose ­ quando a pele fica roxa. No caso de Benício, falta fôlego até para mamar. “Ele não consegue mamar mais de 100ml por dia. Essa quantidade é oferecida para bebês de um mês, por mamada”. Para suprir as carências nutricionais do pequeno, a família compra um leite especial hipercalórico, cuja lata custa mais de R$100.

Preço pra viver

Sem um procedimento que ofereça cura, a doença é tratada com base em medicamentos paliativos e vitaminas. Desmaios, fraquezas e saturações fazem parte da rotina do bebê. “Ainda no hospital fui alertada principalmente em relação à falta de ar. Nessas horas se não agíssemos rápido o Benício poderia morrer, segundo os médicos disseram”, conta. A notícia mais triste, no entanto, ainda estava por vir. A única forma de o menino sobreviver seria uma cirurgia para implantação de uma válvula no coração, que deveria ser renovada a cada dois anos até o resto da vida. “Não me conformei com isso. Busquei as redes sociais e encontrei ajuda em um grupo no Facebook. Na comunidade alguém me indicou um médico em São Paulo que realiza essa cirurgia, porém em caráter definitivo”, conta.

Foto: Felipe Rosa.

Foto: Felipe Rosa.

Na capital paulista o pequeno passou por nova bateria de exames, dessa vez para verificar se o procedimento seria possível. Após avaliação de cinco cardiologistas, Benício recebeu aprovação para a cirurgia de Translocação Pulmonar, que caso fosse feita pela via particular, custaria cerca de R$100 mil. “Foi assustador”, lembra o pai, Walter Antunes Costa, 27. “Fomos pesquisar imediatamente junto ao plano de saúde e descobrimos que seríamos cobertos em apenas uma parte desse valor, trocamos de plano mas ainda faltava muito”, conta. Para arrecadar dinheiro a família vendeu rifas com a ajuda de amigos e parentes. Por meio das ações, R$1500 já foram arrecadados.

Na próxima semana a família viaja novamente para São Paulo, onde pretendem agendar a cirurgia de Benício para o mês de janeiro. O valor para realização do procedimento, no entanto, ainda não está completo. Para custear a última parte da intervenção cirúrgica e cobrir os gastos de Gisele e Walter com hospedagem, alimentação e passagens para São Paulo, a família ainda precisa juntar R$20.000. “Estamos pedindo a ajuda de quem puder ou sentir o desejo de contribuir. Contamos com os bons corações para que o coração do nosso Benício também possa ficar bom e nunca mais passar pela mesa de um médico”, finaliza.

Ajude o Benício:

Informações Bancárias

Nome: Gisele Rodrigues Pereira

Banco: Santander

Agência: 3415

c/c: 01.095506.5

CPF: 079.167.579-31

e-mail: walter-costa@hotmail.com

Sobre o autor

Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

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7 Comentários em "Aguenta, coração!"


Exterminador
Exterminador
1 mês 8 dias atrás
Eu acho que a Maria Luiza fez uma linda reportagem, mostrando a luta de uma criança para poder simplesmente abrir os olhos no dia seguinte. E seus pais estão se esforçando para que isso possa acontecer. Claro que muita gente não tem coração e só pensa em seus próprios problemas e é a grande maioria, que sequer lerão esta reportagem ou então farão críticas como a do velho garoto aí abaixo, mas eu me senti realmente tocado por esta história e amanhã farei um depósito no valor de R$ 100 para ajudar um pouquinho a reduzir a dor desta família.… Leia mais »
Ronnet
Ronnet
1 mês 8 dias atrás

O Jornal, o Exterminador e o Wilson posaram de bonzinhos… todos ganharam um ‘crédito celestial’… Enquanto isso tem milhares de pessoas morrendo por aí, de todo jeito, que ninguém liga… O poder público tem que cuidar de todos, para isso pagamos nossos impostos, que são muitos… O certo é exigirmos isso… Mas, de vez em quando é bom pegar um ou outro para ajudar – publicamente – para nos sentirmos bem…

Exterminador
Exterminador
1 mês 7 dias atrás
Caro Oldboy. Eu realmente ajudei este menino, além de outros que quando eu vejo que realmente a família precisa e não é um caso de gente querendo se encostar, faço com amor e de coração. Ajudo ainda uma sociedade que acolhe gatinhos desamparados de rua, animais dóceis e amedrontados, que são abandonados por pessoas más e maltratados por outras piores ainda. Nunca revelei meu nome verdadeiro nestas doações, pois acredito que a verdadeira razão não é aparecer, mas ajudar. Fico feliz quando vou à chacara onde ficam estes animaizinhos e vejo que outros vinte ou trinta puderam ser resgatados com… Leia mais »
Ronnet
Ronnet
1 mês 8 dias atrás

Como sempre a Tribuna fazendo cortesia com chapéu alheio. Já fizeram uma vaquinha na redação para ajudar? Quem tem obrigação de arcar com isso é o Poder Público!

Mário
Mário
1 mês 6 dias atrás

Quando o governo do estado foge de suas obrigações , é preciso apelar . Afinal , e a vida do próprio filho

Willian
Willian
1 mês 8 dias atrás

Cara! O trabalho da repórter é o de informar, e se eles vão ajudar ou não é problema deles. Se não quer ajudar não atrapalhe!

fernando
fernando
1 mês 7 dias atrás

A repórter faz o trabalho dela que é informar. O Benicio vai ter ajuda sim, mas de pessoas que na maioria ele e os pais dele não conhecem. O poder publico tem obrigação de ajudar, mas não ajuda por que não quer, pois não nem está aí.

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