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Furões do busão

POR Ana Tereza Motta

Um ano após ser sancionada, a lei que multa os fura-catracas em Curitiba ainda não está em vigor. A proposição do vereador Rogério Campos (PSC) foi aprovada pela Câmara Municipal em maio do ano passado, mas a prefeitura ainda não criou mecanismos de fiscalização. O autor da medida afirma que esteve reunido com o prefeito Rafael Greca há poucos dias.

“O prefeito pediu para o secretário tomar nota do assunto e ver como está a situação. Nos próximos dias vou cobrar uma posição da prefeitura”, afirma. A regulamentação ficou por conta do Executivo. “A intenção não é a prefeitura ganhar dinheiro com isso, e sim acabar com essa prática na cidade”, explica.

Cobrador do tubo ao lado do Colégio Pedro Macedo diz que não tem como conter os fura-catracas. Foto: Felipe Rosa

Cobrador do tubo ao lado do Colégio Pedro Macedo diz que não tem como conter os fura-catracas. Foto: Felipe Rosa

A lei prevê uma multa equivalente a 50 passagens de ônibus (R$ 212,50), dobrada em caso de reincidência. A lei considera invasor do transporte coletivo a pessoa que pula a catraca ou entra no ônibus pela lateral da plataforma da estação-tubo e pelas portas traseiras, destinadas ao desembarque.

A fiscalização deverá ser feita pela Guarda Municipal, através de ronda e denúncias através do 156. O invasor será autuado e levado à delegacia, e para ser liberado terá que pagar a multa. Caso o infrator tenha menos que 18 anos, o pagamento caberá a seus responsáveis. “Muitos pais sabem disso e deixam correr solto. Geralmente o pai dá o dinheiro da passagem e os adolescentes abusam”, ressalta o vereador.

Lei que multa os fura-catracas aguarda regulamentação da Prefeitura de Curitiba. Foto: Felipe Rosa

Lei que multa os fura-catracas aguarda regulamentação da Prefeitura de Curitiba. Foto: Felipe Rosa

Prática constante

Não é preciso muito esforço para flagrar os estudantes fura-catracas. A equipe do Caçadores de Notícias presenciou várias invasões na estação-tubo Morretes, em frente ao Colégio Estadual Pedro Macedo, localizado na Avenida República Argentina, Portão. De acordo com um cobrador, que não quis de identificar, a prática acontece todos os dias. “São 30, 40 por dia, e eu não posso fazer nada porque não posso sair daqui”. Ele acredita que a Guarda Municipal deveria estar na saída do colégio. “Tem que pedir para colocar fiscalização porque todos os dias é assim” conclui o cobrador.

A atitude chama a atenção já que, segundo a Urbs, cerca de 19 mil estudantes têm passe livre, que dá direito ao pagamento da metade da tarifa. Quem paga a passagem não concorda com as invasões. “Eu acho que é falta de educação. Às vezes embarcam quatro, cinco de uma vez só”, conta o aposentado Pedro Ludovico, 69. Para o estudante Welington Haashein, 24, se isso não acontecesse, a passagem poderia ser mais barata. “É uma situação ruim. Por que todo mundo tem que pagar, menos eles?”, questiona.

Empresas alegam prejuízo anual de R$ 4,5 milhões com os invasores. Foto: Felipe Rosa

Empresas alegam prejuízo anual de R$ 4,5 milhões com os invasores. Foto: Felipe Rosa

Desfalque no caixa

De acordo com Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), o prejuízo mensal médio causado pelos invasores é de R$ 400 mil, o que representa um rombo de R$ 4,5 milhões ao ano. Por dia, são em média, 3,8 mil passageiros que entram nos ônibus sem pagar. De acordo com a pesquisa realizada pelo Setransp em agosto do ano passado, 39% dos fura-catracas são estudantes e 26% passageiros comuns.

No ranking divulgado pelo Setransp, a estação-tubo campeã de invasões é a do Passeio Público, sentido Terminal Santa Cândida. Em segundo lugar está o tubo Prof. Maria Aguiar Teixeira, no bairro Capão da Imbuia, e em seguida vem a estação Antônio Lago, no Boa Vista. “Esse tipo de atitude lesa o passageiro pagante, que acaba sendo o maior prejudicado pelos fura-catracas“, diz o diretor de Transporte da Urbs, Antonio Carlos Araújo.

Reportagem flagrou muitos invasores no tubo Morretes. Foto: Felipe Rosa

Reportagem flagrou muitos invasores no tubo Morretes. Foto: Felipe Rosa

Trabalhador paga o pato

As invasões podem acarretar problemas aos motoristas e cobradores. De acordo com a Urbs, se for comprovada a conivência do trabalhador, a multa para esse tipo de infração é de R$ 396. A penalidade é aplicada à empresa de ônibus, que repassa ao funcionário. Segundo o advogado do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Rafael Lorenzoni, o fiscal da Urbs fica em silêncio na hora, mas aplica a multa.
“Essa conivência dos funcionários é relativa, porque o fiscal vê e não fala nada”, afirma.

Ele explica que quando a invasão acontece em estação-tubo, a culpa recai sobre o cobrador; nos ônibus de linha, sobre o motorista. “Os funcionários são ameaçados pelos fura-catracas, e já houve registro de agressões”, revela o advogado. Para ele, a saída é a fiscalização. “Eles sabem os horários e locais em que isso acontece, o que facilita a repreensão”, conclui.

 

Sobre o autor

Tribuna do Paraná

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Buscamos os mais variados tipos de histórias na Grande Curitiba e litoral: curiosas, engraçadas, problemáticas, exemplos de vida... E-mail: cacadores@tribunadoparana.com.br

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25 Comentários em "Furões do busão"


Elcio
Elcio
3 meses 4 horas atrás

ACABEI DE PASSAR PELO TUBO DA CARLOS DIETZSCH DE ÔNIBUS E ENTRARAM MUITOS MOLEQUES POR FORA DO TUBO.

República do Paraná
República do Paraná
3 meses 1 dia atrás

Para resolver é só colocar catracas altas fechadas (no estilo das portas de bancos e de algumas estações de metrôs, como em algumas cidades americanas) e fecha as laterais das plataformas dos tubos com material resistente. Além é claro, de prisão e multa. Aliás, e só liberar após pagamento da multa.

everton
everton
3 meses 1 dia atrás

Eu ja fui cobrador e sofri demais com isso e ate entrei em depressao,uma coisa e certa nao tem como segurar um grupo de jovems ou malacos sozinho, a empresa quer mais q o o funcionario se ferre na sua propria condiçao

Denival Jeter Guimarães
Denival Jeter Guimarães
3 meses 2 dias atrás

Enquanto a passagem for um preço absurdo e não houver possibilidade de livre concorrẽncia (como um Uber coletivo, que tenha maior frequência e ujm menor preço) não tiro a razão destes delinquentes. Pois somos obrigados a usar um produto diariamente, a preço único, sem qualidade, e sem possibilidade de escolha.

José Pankie
José Pankie
3 meses 2 dias atrás

Hoje no Inter-2 direto no Hauer subiu uma aluna da Guarda Mirim. Exemplo, com dois lugares de idosos vagos não sentou em nenhum. Disse que ainda era bastante nova para constranger quem tem direito de sentar naquele lugar. Parabéns a ela e a escola que transmite valores.

José Pankie
José Pankie
3 meses 2 dias atrás

Fura catraca é falta de educação. O mesmo que faz isso é o que senta no lugar de idoso, gestante, etc…, vem de berço respeitar as regras de convivência em sociedade. Desemprego é desculpa. E os smartphones compram com que dinheiro????

Adriell
Adriell
3 meses 2 dias atrás

Ninguem faz N.A.D.A

Oldboy
Oldboy
3 meses 2 dias atrás

14 milhões de desempregados no Brasil. Esses têm filhos em idade escolar. Dezenas de milhões de brasileiros ganhando menos de 1 mil reais de salário mínimo, com um ou mais filhos. Como é que esse pessoal vai pagar essa passagem caríssima? Por dia, certamente, 8,50 para cada um… Como vão à escola? Como vão procurar emprego? Poucos empresários estão ficando milionários às custas da população, contando com a omissão da Prefeitura e do Governo do Estado.

A Gabardo
A Gabardo
3 meses 2 dias atrás

Você está equivocado Oldboy, maioria do pessoal que invadem as estaçoes tubos possuem aparelho Smartphone que custam em média R$ 1 Mil reais, a sua conta não fecha, se tiver com duvida, vai um dia observar o verdadeiro perfil dos fura catraca, maioria filhinho de papai com smartphone, tennis caro…aluns menor aprendiz com crachá de empresas multinacionais…

fernando
fernando
3 meses 2 dias atrás

Sidnei e André concordo com vocês. Falaram tudo. A maioria dos fura catracas são esses jovens filhinhos de papai que usam smartphone de 1 reais ou mais, tênis caro, menor aprendiz de multinacionais, montadoras que fazem isso. Raramente se ve um jovem pobre furando catraca. São sempre nas mesmas estações tubos que ocorrem as invasões. As mais invadidas são a Estação do Passeio Publico, são alunos do CEP, aquela estação do Colégio Estadual Pedro Macedo no Portão, entre outros. Esses estudantes invadem as estações tubos porque querem o passe livre, mas a UrbOSTA e a Prefeitura não querem.

A Gabardo
A Gabardo
3 meses 2 dias atrás

Ola Fernando, eu pessoalmente eu vi um menor aprendiz com crachá de menor aprendiz uma grande montadora furando catraca, entrando pela porta 4, uma pena que não deu tempo de sacar meu celular para tirar uma foto do cidadão, pior que o moleque tinha um Smartphone de ponta, fiquei muito indignado, enquanto isso maioria talvez desempregado no coletivo pagaram devidamente a sua passagem, é muito injusto! Só não vou revelar o nome da empresa para não ter problema…

Denival Jeter Guimarães
Denival Jeter Guimarães
3 meses 2 dias atrás

Isso é conhecido como Desobediência Civil. Uma forma de protesto velada, onde não precisamos nos aglomerar e gritar palavras de ordem, onde cada um faz a sua parte. Invés de ficar julgando por que o senhor também não pratica o seu ato de desobediẽncia?

sidnei
sidnei
3 meses 2 dias atrás

Esses são parte do futuro do país.Provavelmente futuro político, enfim. São filhinhos de papai que não dá palmadinhas, faz tudo que eles querem, não trabalham, tem celulares pós pago, vê tv o dia todo, não são hostilizados nas suas fra/u/ca/tu/as , enfim…fazer oq se a lei os protege.

A Gabardo
A Gabardo
3 meses 2 dias atrás

Maioria é classe média, a tal geração Y e Z protegidas pelos papais e sistema, onde não respeitam os professores e ignoram as leis…Incrível são as empresas que contratam esses menores aprendiz, uma vez encontrei um menor aprendiz com um crachá de uma multinacional montadora furando catraca…

Oldboy
Oldboy
3 meses 2 dias atrás

Enquanto essa ladrãozada da população estiver cobrar valores absurdos pela passagem não são sou contra estudantes, principalmente, furarem. R$ 4,25 é roubo. O litro do diesel é cerca de 2 reais e sempre houve uma paridade entre a passagem de ônibus e esse combustível.

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