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Piraquara

Despensa vazia

Foto: Daniel Castellano

O quilo de arroz na despensa de Naiara Aparecida Leal, de 19 anos, dará para sustentar a sua família apenas no dia de hoje. Ele é o último alimento que resta no armário da casa. Com um casal de filhos pequenos, ela e o marido Luiz Fernando Machado, desempregado há cerca de três anos, dividem dois cômodos nos fundos da casa de sua mãe, em Piraquara. “A gente ganha uma coisinha aqui, outra ali e vai tocando. Mas o que eu queria mesmo era arrumar um trabalho pra nós”, desabafa Naiara.

Machado faz “bicos”, mas o dinheiro não é suficiente para manter as duas crianças, a mais velha com 1 ano e 10 meses e a mais nova com apenas 10 meses. A mãe de Naiara, Aparecida do Espírito Santo tenta ajudar, mas ela também passa por dificuldades. Viúva e mãe de 9 filhos, Aparecida não tem aposentadoria e vive doente. “Tenho hérnia, diabetes e mais um monte de doenças que não me deixam trabalhar”, explica. Ela vive da reciclagem. “A gente cata reciclagens na rua e vende para comer hoje”, lamenta.

A casa

Foto: Daniel Castellano

No terreno vivem seis pessoas. Foto: Daniel Castellano

No pequeno terreno escondido no bairro Guarituba, vivem seis pessoas, três adultos e três crianças. A casa de madeira dos fundos onde Naiara mora é organizada, mas ainda faltam muitas comodidades. A filha mais nova, Stephany, por exemplo, dorme no carrinho de bebê e faltam móveis e utensílios. O mais velho, Hugo, dorme com os pais no pequeno quarto/sala. “Isso é o de menos, a gente se vira. Pior é faltar comida mesmo”, diz. Ela também lamenta não ter uma profissão. “Não terminei os estudos e assim fica mais difícil”, lembra.

As duas mulheres também reclamam da falta de solidariedade. “Passado o Natal as pessoas pararam de dar, inclusive na assistência social”, reclamam. Aparecida é viúva há 19 anos e criou os nove filhos sozinha. “Eu ajudo olhando as crianças pra eles poderem trabalhar. Mas se falta serviço, o que posso fazer?”, questiona. “Quando eu tenho, divido”, complementa.

O último emprego de Naiara e de Machado foi num supermercado do bairro. Ela se demitiu há cerca de três meses. “Era muito humilhada lá, por isso saí”, explica. Ele segue pegando pequenos serviços, como ajudante de obras, entre outros.

Além de comida, Naiara aceita ajuda como fraldas descartáveis (tamanho G), material de construção para ela ampliar a casa, entre outros.

Como ajudar

Foto: Daniel Castellano

Naiara: Mas o que eu queria mesmo era arrumar um trabalho pra nós. Foto: Daniel Castellano

As doações em espécie podem ser entregues no seguinte endereço:
– Rua São João, 32 – Guarituba – Piraquara.
– Telefone para contato 99158-1370

Quem quiser ajudar com dinheiro a conta é na Caixa Econômica Federal

Agência: 3509

Conta Poupança nº 00012399-1

Luiz Fernando da Silva Machado

CPF: 109.459.889-58

Camile e a bicicleta

No endereço da rua São João além da família de Naiara e da mãe, também vive Camile, neta de dona Aparecida. Falante e muito simpática, a menina fez questão de mostrar seu quarto, recém-redecorado. Com muitas bonecas, algumas delas achadas na reciclagem pela avó, Camile se orgulha do luxo recém adquirido, com direito a uma pequena TV. Mas o que Camile sonha mesmo, é com uma bicicleta. “É meu sonho de consumo”, afirma. Então, quem tiver uma ou quiser comprar uma para a garota, também será muito bem vinda.

Agência ajuda na colocação

Foto: Daniel Castellano

Foto: Daniel Castellano

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que no Brasil existem atualmente 12 milhões de desempregados. No Paraná, a base de dados é de agosto de 2016 apontava que 500 mil pessoas estavam sem trabalho. Desse total, 165 mil estão em Curitiba e região metropolitana, sendo 109 mil apenas na capital.

Quem está em busca de um emprego é só procurar uma das 15 Agências do Trabalhador existentes na capital e na região metropolitana portando seus documentos pessoais para efetuar o cadastro inicial e assim ter acesso às vagas disponíveis.

Mas quem for em busca deve estar atento para os horários de funcionamento e distribuição de senhas nos estabelecimentos. Vale ressaltar que a espera não é tão longa, pois quase 100 pessoas são atendidas por hora na agência.

Com a senha em mãos, os candidatos efetuam o cadastro e recebem um código de acesso por e-mail para acompanhar as vagas disponíveis sem sair de casa. Assim, é possível economizar tempo e dinheiro, pois o trabalhador consegue reservar a vaga online e ainda para ligar na empresa e agendar o melhor horário para participar do processo seletivo.

Leia mais sobre Piraquara

Sobre o autor

Raquel Tannuri Santana

Raquel Tannuri Santana

Jornalista de texto apaixonada por fotografia. Adora gente e contar histórias. Tem três cães e dois gatos, mora numa chácara e respira ar puro. Acredita que só a gentileza pode mudar o mundo!

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31 Comentários em "Despensa vazia"


Alysson
Alysson
1 ano 3 meses atrás
Desculpe o incômodo, meu nome e alysson eu sou o pai da Camile a menina da reportagem da tribunaPR, e lamentável o ocorido. Não sei nem como falar, mais a família da vive só de doação, eu gostaria muito dela vim morar comigo, mas elas não aceitam e só me procuram se eu atrasar a pensão ou em dias comemorativos. E mesmo diante das situação não deixo de ajudar não só eu mais também a minha família… Gostaria de que alguém arrumasse um emprego a eles e acompanha-se para ver! E eu também estou desempregado e nem por isso preciso… Leia mais »
Mário
Mário
1 ano 3 meses atrás
quantas famílias nesse Brasil a fora estão nessa situação? Vc pode doar , mas sempre terá E daqui a 20 anos ? 9 filhos sem condições nenhuma é uma filha de 19 aninhos com 2 filhos Aonde isso vai parar? Falta aborto e controle de natalidade por parte do governo , uma vez que esse pessoal não tem planejamento familiar , o governo tem que intervir para evitar este tipo de situação degradante para eles mesmos e evitar utilizar de recursos permanentes como bolsa família e outros auxílios públicos As pessoas doam , mas msmo assim não é suficiente se… Leia mais »
MLS
MLS
1 ano 3 meses atrás
Bem, longe de críticas, pois aqui todo mundo pode ser Maria ou José. Raquel Tannuri, conheci hoje à família, a mãe da Naiara não estava em casa, mas sim a Naiara e as crianças. As conheci num rápido aperto de mão é uma saudação. Deixei assim minha contribuição para a família. Logo após ler Sua reportagem… falei com minha esposa e antes mesmo de ir a minha residência almoçar, parei e realizei um pedido num mercado… solicitei a minha esposa separar umas roupas, nossas dos filhos e, quando em casa contei a Ela o que pretendia fazer. Minha esposa como… Leia mais »
Edmilson Fernandes
Edmilson Fernandes
1 ano 3 meses atrás

Parabéns pela tua atitude MLS,pois era esse o sentido da matéria da Raquel ,seria ajudar a família,não criticar,dar lição de moral,não é isso que eles precisam,mas sim SOLIDARIEDADE,não é façil se reestruturar novamente,passei por isso a pouco tempo,mas venci,após 1 ano,me tornei um Empresário,mas foi com muita garra e luta,para saber a minha história,é só procurar Edmilson Fernandes no Jornal Tribuna,a última matéria comigo fui comparado ao Will Smith do filme A procura da Felicidade.
Também estou pedindo ajuda para eles com uma galéra que eu conheço e fazem esse trabalho como voluntários,fui ajudado por eles,mais uma vez……….Parabéns

fernando
fernando
1 ano 3 meses atrás

MLS, você fez a coisa certa em ajudar essa família, pois criticar dar lição de moral não resolve em nada. Tem muita gente falsa moralista que só serve para dar lição de moral e não olha para o próprio rabo.

EL PODEROSO TORNADO!...
EL PODEROSO TORNADO!...
1 ano 3 meses atrás
Até quando esta situação de recessão, desemprego extremo, corrupção e incompetência econômica continuará? Será que seremos obrigados a saquearmos supermercados ou os depósitos de alimentos do governo (grãos) como acontece na Venezuela? Nos SINEs espalhados pelo Brasil as filas são imensas, dão volta em quadras e a grande maioria das pessoas recebem um ‘NÃO’ para as vagas de emprego que procuram. Se até o final de 2017 a economia brasileira não melhorar e se o emprego não aumentar certamente entraremos em grandes conflitos entre a população e os governos (municipais, estaduais e federal) e certamente haverá saques, destruição e muita… Leia mais »
antonio carlos
antonio carlos
1 ano 3 meses atrás

ficar justificando o problema da família é muito fácil, todos temos problemas, o deles é pior, coloquem deus no coração, aquele que julga, será julgado por deus e aqui por outras pessoas, moralistas tem de monte, vão morrer pela boca de agora em diante

Sheila S.N.
Sheila S.N.
1 ano 3 meses atrás

Vc cheio de ódio no coração para falar dos moralistas, seu deos tá vendo heim!

Marcia
Marcia
1 ano 3 meses atrás

na verdade, é exatamente esta situação que os “comandantes” do país esperam que permaneça. Pobreza, desemprego, falta de moradia, falta de estudo, falta de saúde, segurança e assim vai….. Nada para o povo que só quer trabalho para garantia de uma vida descente, saude, estudo e segurança. Mas não. Os “comandantes” vivem desta exata situação, para poderem “prometer” nas eleições, algo que nunca acontecerá neste Brasil. Pois querem estar no “comando” apenas para beneficio e enrequecimento proprio.

Sheila S.N.
Sheila S.N.
1 ano 3 meses atrás
Precisam de alimentos para a família, mas precisam também de empregos, quem pode ajudar? É importante que concluam o ensino básico (supletivo existe para isso), depois realizem uma especialização, quem pode ajudar oferecendo uma bolsa? Vir e pedir alimento ou dinheiro todo mundo faz, mas buscar dar a vara para pescar é que são elas… 3 anos desempregado? Quais são as dificuldades deles, escolaridade apenas? Casos assim são bem delicados, conheço analfabetos que sempre têm emprego. Obs.:Tá todo mundo gordinho na foto… Não gosto de coitadismo, sempre tem uma faxina pra fazer e uma camisinha no posto de saúde pra… Leia mais »
Sheila S.N.
Sheila S.N.
1 ano 3 meses atrás

Se demitiu de um emprego pq era humilhada?
Meu pai também, sempre se sentia humilhado, vive desempregado…
Quando se tem contas para pagar a gente aguenta certas coisas!
Já fui trabalhar doente, teve época que eu acordava às 04:00 da manhã para chegar ao serviço no horário quando eu morava no RJ. Até o pessoal da assistência social desistiu deles, pq será???

É Tricolor !!!!
É Tricolor !!!!
1 ano 3 meses atrás

Sentiu-se humilhada no emprego. Mas para pedir não sente-se humilhada! Devemos ensiná-los a pescar, é fácil só receber o peixe e comer.

fernando
fernando
1 ano 3 meses atrás

A vida é assim mesmo. Não se pode desistir só porque foi humilhada no serviço. Agora qualquer humilhação no serviço é motivo para pedir demissão? Não é assim a vida.

Mário
Mário
1 ano 3 meses atrás

A vida é assim
Não se pode cair na primeira porrada
Só pq foi destratada no emprego

Macir
Macir
1 ano 3 meses atrás

matou a pau!!!

Edmilson Fernandes
Edmilson Fernandes
1 ano 3 meses atrás

Essa é a pura realidade do nosso País,a corrupção tira o direito de viver dos seus contribuintes,tiram as oportunidades de que cada um faça a sua parte para seu crescimento profissional,tive que lutar para conseguir bolsas gratuitas no Senac, e me formei ainda morando na calçada do Mercado Municipal de Curitíba,devemos sim providenciar alimentos primeiro para a família,o que eles precisam é de ajuda e não de criticas no momento.

Sheila S.N.
Sheila S.N.
1 ano 3 meses atrás

Parabéns por ainda nutrir uma visão romântica sobre a nossa sociedade e as pessoas de maneira geral. Perdi isso quando percebi que as pessoas que não conseguem nada na vida, na maioria das vezes, são os mais encostados do mundo, não querem estudar, querem escolher serviço, são preguiçosas e gostam de ficar atoa.
Admiro gente assim, como você Edmilson. De verdade. O mundo me tornou bem cética com os demais, dificilmente minha empatia pende para o que é dito, mas sim para o que é percebido. E nesse caso percebo preguiça.

Mário
Mário
1 ano 3 meses atrás

Concordo
No pain no Gain

19 anos , mãe pobre , 8 irmãos e com dois filhos …

Edmilson Fernandes
Edmilson Fernandes
1 ano 3 meses atrás

já fui chamado de Will Smith Brasileiro em outra matéria da Tribuna……

Edmilson Fernandes
Edmilson Fernandes
1 ano 3 meses atrás

não importa o quanto a vida te bate,mas o quanto vc aguenta ficar de pé,é assim que se vence,nunca desista dos seus sonhos…….

A Gabardo
A Gabardo
1 ano 3 meses atrás

O povo Curitibano infelizmente gostam de doar dinheiro apenas para os flanelinhas e para o povo que inventa as histórias dentro dos ônibus, quando é para doar alimento ou algo parecido, o Curitibano odeia! Faço as minhas caminhadas diárias e percebo como o pessoal sustenta esse flanelinhas usuário de drogas, é impressionante! Uma observação, essa mulher que tem 9 filhos, quanta irresponsabilidade !!

EMERSON
EMERSON
1 ano 3 meses atrás

Realmente. Quanta irresponsabilidade. 9 filhos !!!!

Mário
Mário
1 ano 3 meses atrás

9 filhos
19 anos , dois filhos e sem condição nenhuma além de ganhar um salário mínimo

Pq não planejam antes
Eu irei doar , mas quantos tem nessa mesma situação ?

Edmilson Fernandes
Edmilson Fernandes
1 ano 3 meses atrás

é facíl jogar pimenta nos olhos dos outros,em vez de criticar,porque vc não ajuda essa familia em algo construtivo como doar 1 kg de alimento não perecivel,pessoas como vc não agrega nada na vida de alguem,tenho dito

maria
maria
1 ano 3 meses atrás

essa conta nao e deles pelo jeito.vamos dar alimentos sim ,mas o mais importante e empresario dar emprego para marido tambem

Leonardo Coleto
Leonardo Coleto
1 ano 3 meses atrás

número da conta corrigido!

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