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Curitiba

Vai e vem

Motoristas ainda têm dúvidas quando é obrigatório ligar o farol nas rodovias de dia. Foto: Átila Alberti
Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

A legislação de trânsito brasileira muda tão rápido que não dá tempo pra assimilar tudo. O que está valendo hoje não vale mais amanhã e volta a ser exigido depois de amanhã. E os motoristas acabam levando multas sem nem saber direito por quê. Só no primeiro mês de vigência, quase 13 mil motoristas foram multados no Paraná.

O operador de máquinas Diego Ferreira, 29 anos, sempre usa o farol aceso quando está em rodovias, durante o dia. Ele sabe que o uso é obrigatório, mas desconhecia que nas rodovias que cortam áreas urbanas essa regra não vale mais. “Mas eu já acostumei. Entro na rodovia e já ligo os faróis”, diz ele, que também não sabe com exatidão se pode ou não usar a tela de DVD retrátil dentro do carro. “O xênon e o rebaixado antes era proibido. Agora pode, mas tem que ser regularizado no documento. Os políticos não sabem o que querem. Tem sempre que mexer em alguma coisinha”.

Diego Ferreira, 29 anos, sempre usa o farol aceso quando está em rodovias. Fotos: Átila Alberti.

Diego Ferreira, 29 anos, sempre usa o farol aceso quando está em rodovias. Fotos: Átila Alberti.

Já o encarregado de manutenção Carlos Zittau Júnior, 45, está bem informado das últimas mudanças. “Até que por parte das leis eu estou por dentro”. Enquanto o colocador de revestimentos cerâmicos Inir de Souza, 44, está bem confuso. Ele acredita que seria bom andar com o farol aceso nas rodovias durante o dia, mas não tem certeza se é obrigatório. Acha que seria importante ter um kit de primeiros socorros no carro, mas não sabe o que a lei diz sobre isto. Em relação ao extintor, afirma que é obrigatório. Já a placa, ele não sabe se precisa ser refletiva ou não.

"Até que por parte das leis eu estou por dentro”, disse Carlos.

Carlos disse que está por dentro das últimas mudanças.

Para o especialista em trânsito Glávio Paura, professor dos cursos de Engenharia da Universidade Positivo, o problema não está em mudar as leis, desde que sejam relevantes à segurança no trânsito. Na visão dele, o que falta é uma comunicação eficiente destas mudanças, para que a população saiba o que deve fazer. “Algumas mudanças são assertivas, possuem fundamento. Mas em outras, vemos o desconhecimento total dos deputados sobre as questões técnicas e da engenharia de trânsito. Ou então, aprovam coisas só para atender algum interesse de alguém. Diferente de outros países, aqui no Brasil muda a todo minuto”.

Com tantas mudanças nas regras de trânsito nos últimos anos, a Tribuna te ajuda a ficar atualizado sobre as últimas e mais polêmicas alterações na legislação.

Depois de muito "vai e vem", extintor deixou de ser obrigatório. Foto: Felipe Rosa

Depois de muito “vai e vem”, extintor deixou de ser obrigatório. Foto: Felipe Rosa

Extintor de incêndio

O extintor do tipo BC passou a ser obrigatório a quase todos os tipos de veículos na década de 60. Em abril de 2004, o extintor continuou obrigatório, porém do modelo ABC, ou seja, adequado para todos os tipos de origens de fogo. Já em fevereiro de 2007, não precisava mais ser o tipo ABC, poderia ser apenas o BC. Só que em novembro de 2009, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) voltou atrás e todo mundo tinha até janeiro de 2015 para instalar o ABC de novo nos veículos. Esse prazo mudou três vezes e a lei passaria a valer em outubro de 2015. Nestes meses, o extintor ABC chegou a ficar 400% mais caro que o normal.

Mas um mês antes da obrigatoriedade, quando a maioria dos proprietários de veículos já tinha investido para se adequar à regra, o Contran tornou facultativo o uso do equipamento. Ele só continuou sendo obrigatório (tipo ABC) em veículos de carga, destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos, gasosos ou transporte coletivo de passageiros.

“Se alguém morre num incêndio automotivo, é porque estava desacordada ou porque estava presa no carro, num acidente, e não conseguiu sair. Fora disto, a pessoa tira o cinto e sai do carro rapidamente. E se a pessoa estiver lá acidentada, capotada, por exemplo, muitas vezes nem consegue se contorcer dentro do carro pra pegar o extintor. O equipamento é mais pra salvar o patrimônio do que uma vida. Mas só apaga um princípio de incêndio. Se o fogo já tiver se alastrado, não salva nada. Eu acho que o extintor ajuda, mas não é uma questão essencial de trânsito”, analisa o professor Glávio Paura.

Farol aceso nas rodovias

Em julho de 2016, o farol aceso durante o dia passou a ser obrigatório em rodovias federais, estaduais e distritais. Mas como havia muitas rodovias sem sinalização adequada – indicando que se tratava de rodovia -, a regra foi temporariamente suspensa em setembro em alguns estados. Mas voltou a valer em outubro. Já em dezembro, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta, que exclui a obrigatoriedade de se usar o farol aceso durante o dia em rodovias integradas às áreas urbanas. Na Grande Curitiba, são exemplos de rodovias urbanas a Linha Verde, BR-277 e BR-116/BR-476 (Contornos Norte, Sul e Leste).

“Mas o problema é você saber onde começa e onde termina o perímetro urbano, pra você saber onde tem que acender ou desligar o farol. Eu, na dúvida, mantenho aceso em qualquer rodovia, pois você não sabe qual será a interpretação do agente de trânsito. Você pode até ter razão, estar andando num perímetro urbano com a luz apagada porque é o que está valendo. Mas se o agente de trânsito te dá uma multa, o incômodo de ter que recorrer desta multa é muito maior do que só ligar a luz”, analisa o professor Glávio. “Eu sou a favor do farol aceso. Tem toda uma questão científica por trás disto. Mesmo de dia, te chama mais atenção um carro com os faróis acesos do que apagados. Na Europa, se usa a luz diurna há muito tempo”, compara.

Kit de primeiros socorros

Em 21 de maio de 1998, o Contran determinou que todos os veículos deveriam possuir um kit de primeiros socorros contendo ataduras, esparadrapo, gaze, bandagem, luvas cirúrgicas e tesouras sem ponta. As pessoas tiveram oito meses para se adequar à lei, que passou a vigorar em janeiro de 1999. As fábricas e comércios faturaram alto. Em abril do mesmo ano, a obrigatoriedade foi revogada. Indústrias que fabricavam o kit tentaram processar o governo federal, sem sucesso, pois ficaram com milhares de kits encalhados no estoque. Quem levou multa por não ter o kit no carro, entre janeiro e abril de 1999, teve a multa cancelada.

A justificativa da lei era salvar vidas em casos de acidentes de trânsito. “Minha opinião pessoal é que esta lei só foi pra atender algum interesse ou foi assinada por algum deputado completamente mal informado. No caso de um acidente grave, eu posso ter uma UTI dentro do carro. Mas eu sou engenheiro, não entendo nada de salvar vidas, assim como a maioria da população. Como que eu vou socorrer alguém sem ter noção de como fazer isto?”, questiona o professor.

Placa refletiva é obrigatória para os veículos transferidos desde agosto de 2007. Foto: Arquivo

Placa refletiva é obrigatória para os veículos registrados ou transferidos desde agosto de 2007. Foto: Arquivo

Placa refletiva

A resolução 231 do Contran, de agosto de 2007, tornou obrigatório o uso de placas refletivas traseiras em veículos de duas ou três rodas do tipo motocicleta, motoneta, ciclomotor e triciclo. A obrigatoriedade era para veículos registrados ou transferidos de município a partir de 1.º de agosto de 2007.

Mas, diante da reclamação de alguns agentes de trânsito, de que as placas refletivas não eram bem visíveis, dependendo das condições de luz, o Contran regulamentou, em março de 2011, quais eram as especificações técnicas de luminescência das placas refletivas. Determinou também que, a partir de janeiro de 2012, todos os veículos novos deveriam possuir a placa refletiva. Já em maio do ano passado, o Contran estabeleceu um novo tipo de placa padrão Mercosul, com novas cores e jogo de letras e números. Aproveitou e aprimorou as regras técnicas de luminescência das placas. O novo padrão deverá começar a valer em 2021.

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Giselle Ulbrich

Giselle Ulbrich

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23 Comentários em "Vai e vem"


Christovam
Christovam
4 meses 1 dia atrás
Gostaria de aproveitar o espaço para demonstrar a minha indignação a respeito do pgto do LICENCIAMENTO do carro. Não sei quem definiu que para pagar esta taxa, tem que ser “exclusivamente” no Banco do Brasil. A maioria das pessoas possuem contas bancárias em bancos diversos, que precisa ir ao seu banco enfrentar fila, sacar o dinheiro, se dirigir ao BB, e em posse do número do RENAVAN, acessar o caixa eletrônico deste bco, se dirigir a moça da recepção retirar uma senha para atendimento no caixa, e enfrentar outra sala de espera juntamente com outros na mesma situação que vc… Leia mais »
s a santin
s a santin
3 meses 29 dias atrás

Vou te ensinar um modo “mais” prático: Vá numa unidade do detran, entre na fila do toten de serviços bancários e digite o número do renavan e efetue seu pagamento com qualquer cartão bancário!! Pronto “rápido” e “fácil” e só existe uma fila…

REINALDO
REINALDO
4 meses 2 dias atrás

Acho que os políticos, deveriam prestar serviços a sociedade, não foi isso que eles se propuseram a fazer, deixe o Código de Transito Brasileiro, para o pessoal técnico, para que façam um trabalho direcionado aos usuários e com isso não ficaria essa complicação toda. Campanhas para melhorar o transito o governo não faz, pois há despesas, então que eles façam o seu trabalho, que é fazer politicas.kkk

Emerson
Emerson
4 meses 2 dias atrás

O que realmente esta precisando é reciclar todos os motoristas e aumentar o tempo do curso preparatório para novos motoristas para mais ou menos dois anos, talvez assim de uma melhorada no transito das cidades e das estradas!

Renato
Renato
3 meses 24 dias atrás

E assim o preço da carteira de motorista que é caro passa a ser objeto de luxo pois as pessoa que na maioria tem salario de no maximo 1 1/2 salario não teria condições de tirar a carteira de habilitação, fora que isso aumentaria o numero de motoristas dirigindo sem habilitação.
O negocio é investir em melhorias e não complicar.

Fernando Rosa
Fernando Rosa
4 meses 1 dia atrás

Discordo. Veja pelas estatísticas que a maior parte dos acidentes é por imprudência. Não é falta de perícia. O que os motoristas precisam é de educação e respeito, apenas isso.

fernando
fernando
4 meses 1 dia atrás

Concordo contigo, não adianta cursos preparatórios para novos motoristas se nas ruas e estradas continuam tendo motoristas imprudentes, apressadinhos e mal-educados que não respeitam as leis de transito.

Ernesto Rodrigues
Ernesto Rodrigues
4 meses 2 dias atrás

Este Prof. Glávio está completamente equivocado com relação ao uso de faróis durante o dia.
Os carros produzidos na Europa tem a obrigação do uso de DRL que são adequadas para iluminação de dia, onde os faróis, por vários estudos sérios (basta pesquisar…), só servem para iluminar a noite!
Pena que nossas universidades estão cheias de docentes desatualizados…

Baotambem
Baotambem
4 meses 1 dia atrás

Sr. Ernesto Rodrigues, você só pode estar de brincadeira. Você é um fanfarrão… “Vários estudos que os faróis não ajudam de dia” kkkk é cada coisa que temos que ler.

Fernando Rosa
Fernando Rosa
4 meses 1 dia atrás

Quem está equivocado e você cidadão. O DLR, como a própria sigla em inglês já diz, é apenas o sistema que liga os faróis automaticamente. O farol, em sí, é o mesmo que ilumina de dia e a noite. A função do farol de dia não é para iluminar a pista, mas apenas para que o carro seja percebido mais facilmente.

fernando
fernando
4 meses 1 dia atrás

O DLR vai ser obrigatório nas rodovias e ruas a partir do ano que vem.

Gorkius
Gorkius
4 meses 3 dias atrás

As medidas sempre são para favorecer alguém. Mas vamos lá: Kit PS, ridículo ser obrigatório, uma vez que nem todo cidadão tem conhecimento de primeiros socorros. Extintor, serve apenas para coibir um foco inicial, bom para danos materiais. Farol aceso: deveria ser obrigatório em rodovia urbano ou não. A placa, ridículo, serve para arrecadar dinheiro.

Ronaldo Goltz
Ronaldo Goltz
4 meses 3 dias atrás

Quanto ao kit de primeiros socorros sempre foi uma besteira e só foi criado para alguém embolsar algum, ou foi burrice mesmo (não sei o que é pior) nunca se deve mexer em alguém acidentado, a não ser em caso de incêndio, e o extintor mal apagaria um fosforo aceso, agora farol alto deveria ser em todo lugar, não somente em rodovias, haja vista que os pedestres atravessam mais em vias urbanas que em rodovias

Alto de tantas glorias
Alto de tantas glorias
4 meses 3 dias atrás

O médico quer um kit de primeiros socorros? Só por Deus. Os caras não sabem andar em linha reta e velocidade constante vão saber de lei de trânsito?

fernando
fernando
4 meses 1 dia atrás

O kit de primeiro socorros na verdade foi uma babaquice, pois ninguém usa e é inútil em casos de emergências. A obrigatoriedade do extintor virou uma novela, uma hora aprova, outra não e por aí vai.

PAULO FORNAZARI
PAULO FORNAZARI
4 meses 3 dias atrás
Essa do farol acesso é relativo em dias de sol forte e próximo do meio dia, os nossos veículos tem uma lampada fraca e amarela e com isso não vejo diferença entre o farol acesso e apagado, acredito que seria muito mais útil, instalar a tal DRL ou então optar pela troca de lampada melhores como a de LED ou ate mesmo a de xênon, porem o governo novamente vem proibir esse tipo de substituição, ou seja a pessoa esta pensando na segurança dele e de outros e o governo pensando em tirar proveito. Afinal é melhor arrecadar dinheiro com… Leia mais »
Fernando Rosa
Fernando Rosa
4 meses 1 dia atrás

Paulo, os faróis que não são projetados para receber lâmpada de xenon não podem ter a tal. A parábola dos faróis têm ângulos diferentes para cada tipo de lâmpada. Note que um carro com xenon original tem a direção da luminosidade focada na pista. O carro adaptado tem a luminosidade toda espalhada, muitas vezes na cara do motorista que vem contra.

Gorkius
Gorkius
4 meses 3 dias atrás

Não concordo com o governo, mas no Xenon, o complicado a má forma de utilização. A pessoa compra na china, Paraguai e etc, coloca em casa e não se preocupa em regular. Atrapalhando todo mundo. Mas o governo vem para proibir tudo. Led melhora a visão, assim como xenon, mas no Brasil o carro não é seu e sim do Governo.

alvaro santos
alvaro santos
4 meses 3 dias atrás

Ande com o farol aceso,não custa nada e ajuda evitar acidentes.

Ernesto Rodrigues
Ernesto Rodrigues
4 meses 2 dias atrás

Alvaro, não evita acidentes em todos os casos e pode até causar novos. Pesquise sobre o assunto e descubra porque inventaram o DRL.

Fernando Rosa
Fernando Rosa
4 meses 1 dia atrás

Não entendo porque você está insistindo com esse DRL (daytimme running light). Esse é só um sistema que liga os faróis automaticamente.

Milton Lopes
Milton Lopes
4 meses 3 dias atrás

Até os portguêses riem desta. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

le
le
4 meses 3 dias atrás

a melhor coisa é ir embora desse paizinho atrasado

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