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Curitiba

Tarados à solta

A presença mais efetiva da Guarda Municipal (GM) nos ônibus de Curitiba tem surtido efeito, mas isso ainda não é suficiente para que as passageiras se sintam mais seguras. A prisão de um suposto advogado por abusar de uma jovem dentro de um ônibus da linha Araucária/Curitiba, na manhã de ontem, colocou em discussão novamente a questão dos tarados dentro do transporte coletivo. Desde fevereiro, quando implantou a Patrulha do Transporte Coletivo, para evitar abusos e furtos nos ônibus, a GM atendeu dez ocorrências de assédio sexual ou atos obscenos no sistema de transporte da capital. Todos os suspeitos foram identificados e presos.

Casos como o de ontem, em que o abusador foi preso, autuado por estupro e deve continuar detido, têm se repetido pela capital. Em fevereiro, os Caçadores de Notícias relataram o nojo sentido por uma estudante que foi violentada num ônibus da linha Inter 2. Um mês depois, o suspeito foi preso e saiu da cadeia antes da vítima concluir seu depoimento.

“Pedaço de carne”

Rebeca: a gente nunca sabe quando nós poderemos ser vítimas. Foto: Gerson Klaina

Rebeca: a gente nunca sabe quando nós poderemos ser vítimas. Foto: Gerson Klaina

Embora tenham reparado a atuação da GM, mulheres relataram à Tribuna do Paraná que o medo é diário e que se sentem angustiadas ao entrar nos ônibus. “É bem difícil. Comigo nunca aconteceu nada e eu também nunca presenciei algo do tipo, mas só a sensação que temos todos os dias já tem sido complicada”, diz a estudante Rebeca Fuccio Pagotto, 25 anos. Por isso, adota algumas medidas preventivas dentro dos ônibus. “Fico sempre muito atenta. Entro, olho, vejo quem está ao lado e deixo sempre minha bolsa por perto. A gente não se sente à vontade e nunca sabe quando nós poderemos ser vítimas”.

Ela fala que reagiria se acontecesse algo parecido com ela ou com alguém próximo. “Acredito que a população tem que ser solidária também, porque a gente precisa se unir para se defender. As pessoas têm que se colocar no lugar do outro e os homens têm que pensar: e se fosse minha filha, minha namorada, esposa?”.

Rafaela Moraes, 25, relata que nunca aconteceu nada com ela, mas que também interviria. “Eu tiraria a pessoa de perto do individuo e não ia deixar quieto”. A jovem disse que pega ônibus poucas vezes na semana e que não se sente bem dentro dos coletivos. “A sensação que eu tenho é que sou um pedaço de carne. A gente fica sem jeito. Parece que eu não tenho o direito de estar ali, de estar com a roupa que eu estou, é horrível”. Na opinião dela, as pessoas geralmente se omitem ao ver algo do tipo acontecer perto delas. “Mas acho que isso tem melhorado. E é o que tem que acontecer. As pessoas precisam pensar nas outras”.

Máquina de choque na bolsa

Apesar de proibido, jovem anda com máquina de choque (taser) na bolsa. Foto: Gerson Klaina

Apesar de proibido, jovem anda com máquina de choque (taser) na bolsa. Foto: Gerson Klaina

Na tentativa de buscar uma forma de se sentirem seguras, algumas mulheres apelam para artifícios. Algumas delas não sentem medo e dão bolsadas nos abusadores, mas outras têm buscado objetos mais agressivos. “Eu ando com uma taser (máquina de choque) na bolsa. Comprei justamente para me defender”, conta uma jovem, que pediu para não ser identificada.
Guardada na bolsa, a máquina fica carregada e pronta para dar um choque em qualquer tarado, mas a moça disse que ainda não precisou usar. “E também não quero ter que usar. Mas se for preciso, não vou ter medo. Porque ou a gente reage, ou a gente é abusada. Ninguém vai olhar pela gente, se não nós mesmas”, desabafa.

Uma moça que já foi violentada dentro de um ônibus – que também prefere não se identificar – pensa em comprar um spray de pimenta. “Se vier pra cima, espirro no olho e grito para segurarem até a Guarda Municipal chegar. A gente tem que parar de sentir medo e suportando os olhares pra cima da gente”, comenta.

“Já eu, quando aconteceu comigo dentro do ônibus, joguei a bolsa com tudo pra cima dele. Não me preocupei e nem senti vergonha das outras pessoas”, lembra uma mulher de 42 anos, que também já foi abusada num coletivo. “Faz tempo, mas eu faria de novo”.

A delegada Waleska Souza Martins, da Delegacia da Mulher, explicou que embora seja entendível que as mulheres queiram se proteger, o uso de objetos – como a taser e o spray de pimenta – é proibido e pode trazer complicação para quem portá-los. “A orientação que nós damos é de que elas peçam socorro ao motorista ou ao cobrador do ônibus. Nem sempre as outras pessoas vão ajudar, então, procurem essas pessoas, que eles vão saber o que fazer”.

Por que muitos não ficam presos?

O que revolta muito a população é o fato de que, quando presos, os homens que violentam as mulheres nos ônibus acabam saindo da cadeia. Dos casos atendidos pela GM, dois deles repercutiram bastante nas redes sociais e na imprensa: o do “Tarado do Centenário” e o do “Tarado do Inter 2”. Os dois foram presos, mas acabaram liberados em pouco tempo.

Delegada Waleska explica diferença entre estupro e contravenção. Foto: Gerson Klaina

Delegada Waleska explica diferença entre estupro e contravenção. Foto: Gerson Klaina

Segundo a delegada Waleska Martins, é uma questão complicada, pois depende de cada caso e da forma que o crime aconteceu. “Por exemplo, se o homem se masturbar na frente de algumas pessoas, mas sem se direcionar a uma delas apenas, não é estupro, é contravenção. Neste caso, ele não fica preso, assina um termo circunstanciado e é liberado”. Já no caso de haver violência, insistência ou se o abusador encostar na vítima, fica caracterizado estupro. “E aí, nesse caso, a pessoa fica presa e não nos cabe sequer arbitrar fiança. Quem vai decidir o destino dessa pessoa é a Justiça”.

O que irrita a população são os casos de contravenção, porque o autor do crime pode acabar saindo da delegacia antes mesmo da vítima. “Mas é a lei que, infelizmente, é antiga e ainda não foi atualizada. Temos que seguir. O que nós orientamos e pedimos é que as vítimas não tenham medo, vergonha e sempre denunciem”, explica a delegada.

Conforme a GM, com a patrulha mais efetiva nos ônibus, as queixas de assédio aumentaram pelo telefone 153. A Guarda pede para que as mulheres continuem estimuladas a denunciar sempre que puderem. Além do fone da GM, as denúncias também podem ser feitas para a Polícia Militar (PM), pelo 190, ou ainda para o telefone direto da Delegacia da Mulher, pelo número (41) 3219-8600.

Sobre o autor

Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

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19 Comentários em "Tarados à solta"


Alexsandro
Alexsandro
1 mês 8 dias atrás
O legal disso tudo é que em um ônibus lotado na cidade de Londrina, eu que havia saído do velório de minha avó e estava para ir ao trabalho levar o atestado de óbito, mesmo estando com a bolsa na minha frente e virado de lado, fui acusado por uma garota de estar fazendo isso com ela. Ela me atacou, me bateu na cara por várias vezes e me chutou. Foi muito constrangedor e vergonhoso, até hoje meses depois me lembro da cena de forma muito triste. Sou casado, pai de duas filhas e sirvo na Igreja, me senti totalmente… Leia mais »
Geovane
Geovane
3 meses 30 dias atrás

O povão tem que se unir e linchar esses fdp ainda dentro do onibus

jefferson pereira
jefferson pereira
3 meses 30 dias atrás

o problema , a merda de tudo isso que tem mulheres que se acham a 1ª maravilha do mundo, e aí em uma situação na qual não dá pra fazer nada (onibus lotado) elas vão achar que estão sendo abusadas, vão fazer escândalo e até por na cadeia alguém que também foi vítima da situação

fernando
fernando
2 meses 14 dias atrás

Também tem essa, a mulherada quando está nos ônibus lotados, tem casos que não podemos fazer nada. Pedimos licença com educação para não encostar mas é impossível em ônibus lotado as vezes. O problema é elas que estão sendo abusadas, fazem escândalo, e as vezes que não tem nada a ver com a situação paga o pato

cleverson ramos
cleverson ramos
4 meses 12 horas atrás

me desculpem mulherada, no onibus são umas santinhas até arma tem, agora na balada são umas frescas todo mundo passa a mão haaaa.

Paulo Cesar
Paulo Cesar
4 meses 19 horas atrás

Para que já possou com família por esta situação, só tem um pensamento em mente em relação a este lixo que se diz ser humano. CAPAR O CARA E COLOCAR O ESCROTO DELE, GUELA A DENTRO DO CARA PARA ELE NUNCA MAIS ESQUECER. Se é que depois a gente deixe um lixo deste vivo. Eu mando daqui para frente estes lixos para o colo do capeta e depois me entendo com a justiça e DEUS.

ulysses freire da paz jr
ulysses freire da paz jr
4 meses 1 dia atrás

“Não posso transigir com uma concepção de mundo [o BOLCHEVISMO] que, em toda parte onde alcança o poder, trata logo de libertar, NÃO os trabalhadores, mas a escória da humanidade, o elemento anti-social concentrado nas prisões – e soltar estas bestas selvagens no mundo impotente e aterrado que os rodeia…”

http://wp.clicrbs.com.br/casodepolicia/2016/12/08/policia-investiga-movimento-armado-que-recrutou-neonazistas-gaucho

Rubão
Rubão
4 meses 1 dia atrás
Situação que a imprensa vai atrás somente da violência para estampar capas de jornais e não orienta , informa e ajuda as pessoas a se livrarem do inconveniente ou ação em caso de um flagrante delito. É PRECISO INFORMAR AOS CIDADÃOS DESSE PAÍS QUE; QUALQUER UM (COM UM POUCO DE CORAGEM , BRIO E VERGONHA NA CARA) PODEM PRENDER O MELIANTE EM FLAGRANTE DELITO DESDE QUE A SUPOSTA VÍTIMA, ÓBVIO NÃO ESTANDO JÁ “MORTA” POSSA ACOMPANHA-LO OU CONSTATAR TAL FATO MEDIANTE EXAMES PARA ENQUADRAR O MELIANTE.ENTÃO, TODO CIDADÃO PODE PRENDER ALGUÉM EM FLAGRANTE DELITO E polícia tem como sua obrigação!… Leia mais »
tkt_486_152983
tkt_486_152983
4 meses 2 dias atrás
Bem. É preciso cuidado. Às vezes o ônibus está tão lotado que as pessoas se esbarram. Semana passada eu homem estava sentado e uma mulher começou a esfregar a xoxolga no meu ombro. O pior. Algumas mulheres começaram a olhar feio para mim que estava sentado e na minha. Vi que não havia espaço e a moça não tinha outra opção senão ficar com seu membro no meu ombro. Ao mesmo tempo fiquei pensando. E se fosse uma mulher sentada aqui e um homem em pé. A mulher diria que o cara é estuprador e lhe desferiria um choque? Já… Leia mais »
Debbie
Debbie
4 meses 2 dias atrás

e vc gostou?

EL PODEROSO TORNADO!...
EL PODEROSO TORNADO!...
4 meses 2 dias atrás
Cuidado mulherada para num esbarrão ocasional dentro de ônibus superlotados (que é normal nos horários de pico) não fazerem um escândalo qualquer ou mesmo usar uma arma de choque por simplesmente achar que estão sendo assediadas. Como um assédio sexual ou moral são crimes, uma acusação infundada ou caluniosa também é, sem falar que uma arma de choque pode até matar dependendo contra quem for usada. Tem homem que não presta, mas também tem mulher que acha que todo homem é vaga-bundo, não confundam as coisas para não se envolverem numa situação constrangedora e sem fundamento. Homem que assedia ou… Leia mais »
Elcio
Elcio
4 meses 2 dias atrás

Nos dias de hoje o que as mulheres precisam aprender são artes marciais.

fernando
fernando
4 meses 2 dias atrás

Do jeito que está esses tarados a solta nos ônibus, a mulherada hoje está também partindo para o transporte individual. Por isso que a maioria das mulheres hoje prefere tirar carteira e dirigir carro ou moto do que andar de ônibus e com medo de ser abusada pelo primeiro tarado que aparecer nos ônibus. Daqui a pouco a mulherada vai ter que andar armada nos ônibus como é caso da mulher que usa taser e outra que usa spray de pimenta. Teve mulheres que foram abusada no ônibus e não andam mais de ônibus por causa disso.

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