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Curitiba

Minha bike, minha vida!

Foto: Antônio More
Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

Por décadas, a bicicleta era vista no Brasil como objeto de lazer, esporte ou brinquedo. Mas já há algum tempo as pessoas voltaram a enxergá-la como modal de transporte. Não há estatística oficial, mas nos últimos três anos é visível o aumento de ciclistas no trânsito de Curitiba.

Há cinco anos, a massoterapeuta Silvana Batista, 43 anos, usa a bicicleta para tudo na vida. Ela mora no Boqueirão e trabalha no Centro Cívico. “Nem sei qual é a distância, mas geralmente faço o percurso em 30 minutos. De carro acho que daria o mesmo tempo ou mais, dependendo do trânsito”, analisa. A massoterapeuta não larga da bicicleta nem em dias de chuva. Na mochila, leva capa, lanche, água e uma roupa extra. Aos domingos, a bicicleta vira lazer: ela e o marido (que também se locomove em duas rodas para tudo) vão a parques. “Meus filhos me chamam de mãe louca. Dizem que não sou uma mãe comum, daquelas que ficam em casa fazendo tricô, crochê ou cozinhando”, ri.

Foto:

Douglas leva 15 minutos para ir ao trabalho de bicicleta.

Para Silvana, as maiores dificuldades na bicicleta são os trechos compartilhados com carros e ônibus. O ponto mais crítico do trajeto é próximo ao Carrefour, na Avenida Marechal Floriano Peixoto, onde não há nenhuma infraestrutura cicloviária e é preciso se arriscar na canaleta, concorrendo com ônibus, ciclistas e skatistas, entre outros. “É tenso. A gente fica olhando para todos os lados. Não é que nem aqui na ciclofaixa, que eu relaxo e vou embora”, compara a massoterapeuta, que optou pela bicicleta pela convicção de que o modal é o melhor para a cidade, por desengarrafar o trânsito e deixar o meio ambiente mais limpo. “Gosto disso, de mais vida”, resume.

Economia

Já o assessor de gerência Douglas Barbosa, 28 anos, optou pela bicicleta após analisar que o gasto anual com combustível era alto. “Sempre gostei de bicicleta. Minha mãe conta que, ainda bem pequeno, ela colocava a mamadeira na ponta da mesa, eu saía da cama, pegava e ia tomar andando na bicicleta”, conta. Ele gasta 15 minutos de casa, no Batel, até perto da PUCPR, no Prado Velho – mesmo tempo que gastaria de carro.

50 anos na bike

Foto: Antônio More

Júlio começou a andar de bicicleta para pagar o seu casamento. Foto: Antônio More

Na malha cicloviária da capital paranaense é possível encontrar pessoas de todas as idades usando bicicleta. O aposentado Júlio Carboneira, 75 anos, anda de bicicleta há 50 anos – 40 deles em Curitiba. Ele veio de Taguaí (SP) e conta que tudo começou porque queria casar. “O combustível era muito caro. Não dava pra andar muito de carro. Então comecei a usar a bicicleta para economizar para o casamento”.

Júlio se acostumou tanto com o modal, que hoje resolve tudo sobre duas rodas, não importa a distância. Roda pelo Boqueirão e Xaxim de bicicleta. Só tira o automóvel da garagem quando precisa levar a esposa a algum lugar. Já teve três bicicletas roubadas e a que usa hoje foi comprada em 1985. Em cima de duas rodas, viu o crescimento do trânsito da capital e nota que, com mais carros, ficou muito difícil andar. “Melhorou bastante com estas vias específicas para as bicicletas, mas ainda é difícil”.

Foto: Antônio More.

Damião mora no Boqueirão e vai ao trabalho, que fica no Centro, de bicicleta. Foto: Antônio More.

Outro adepto da bike é o garçom Damião Souza, 19. Em São Luís (MA), de onde veio, não existe malha cicloviária. “Em Curitiba existe e é muito mais fácil andar de bicicleta aqui. Mas há trechos em que não há espaço exclusivo e qualquer distração pode ser fatal”, observa. No primeiro dia, ele não percebeu que a ciclofaixa da Avenida Marechal Floriano Peixoto mudava de um lado a outro da rua e quase foi atingido por um carro. Ele pedala 25 quilômetros por dia, da casa no Boqueirão ao trabalho no Centro.

Damião pretende comprar logo uma moto. Mas acha que não conseguirá deixar a bicicleta, pois se acostumou bastante com o modal nesse um ano de uso. Antes, usava ônibus. Sentia muito cansaço e dor nas pernas. Agora, está muito mais disposto e sem dores.

Mais ciclistas, mais mortes

Foto: Arquivo Tribuna

25% das mortes está relacionado a má infraestrutura. Foto: Arquivo Tribuna

As mortes de ciclistas preocupam a Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), pois saltaram 72,7% de 2014 para 2015 (de 11 para 19). A maioria morreu em colisões com automóveis. “Nós convidamos as pessoas a utilizarem mais a bicicleta nos seus deslocamentos. As pessoas aderiram ao convite e começamos a ver mais ciclistas nas ruas. Em contrapartida, os óbitos aumentaram”, lamenta a secretária de Trânsito, Luiza Simonelli, que trabalha em projetos que melhorem a mobilidade do ciclista e separem as bicicletas de outros veículos, em algumas vias. Exemplos destas melhorias são a Via Calma, as ciclofaixas, ciclorrotas e ciclovias (veja infográfico).

Entre os motivos que causaram a morte de ciclistas na capital, a infraestrutura ruim para bicicletas foi a maior delas: 25% dos casos. Os principais problemas foram: engenharia que induz ao erro, má conservação da via e falta de acostamento. Por causa desta constatação, do comitê do projeto Vida no Trânsito, dos R$ 22 milhões investidos pela Setran em 2015, 40% foram destinados à engenharia.

O que é cada coisa?

Ciclofaixa
Espaços parcialmente segregados do tráfego de motorizados e pedestres (pintado de vermelho e separado por tachões). São vias exclusivas para uso das bicicletas.

Via Calma
Espaço compartilhado entre motorizados e bicicletas, onde a prioridade é do ciclista. A velocidade máxima dos motorizados é 30 Km/h.

Bicicaixa
Área destinada à parada de bicicletas enquanto o semáforo está vermelho para os veículos, localizada entre a faixa de pedestres e os motorizados. Ela é feita para que os ciclistas arranquem antes dos carros, como forma de serem vistos. Assim, evita-se que carro que queiram fazer uma conversão e precisem passar por cima da ciclofaixa atinjam um ciclista.

Ciclorrotas
Vias secundárias de trânsito menos intenso (sinalizadas por um grande círculo azul no asfalto), onde motorizados e bicicletas andam juntos. Velocidade é de 30 km/h para os veículos e a prioridade é do ciclista, que deve andar pelo canto da rua.

Passeio compartilhado
Espaço na calçada onde ciclistas e pedestres compartilham a mesma área de circulação. Ciclista deve pedalar atento ao pedestre e em velocidade segura para ele e os pedestres.

Passeios de pedestres
Calçadas destinadas aos pedestres e pessoas com deficiência. Bicicleta é proibida, a não ser para acesso às garagens.

Vias de tráfego geral
Onde não há identificação de área para uso de bicicleta, por lei, ciclista deve andar no canto da via (não rente ao meio-fio) ou no acostamento, no sentido do trânsito. Não pode andar na contramão.

Empresas têm mais sucesso que prefeitura

Foto: Antônio More

Silvana usa bicicleta para tudo na sua vida. Foto: Antônio More

O poder de influência de uma empresa sobre seus funcionários, em campanhas educativas, é maior do que o de uma prefeitura sobre seus cidadãos. Por isso, Luís Cláudio Patrício, coordenador de projetos da Cicloiguaçu e mestrando em gestão urbana pela PUCPR, defende que as empresas poderiam incentivar mais seus funcionários a usarem a bicicleta como modal de transporte.

Em sua dissertação sobre “Mobilidade Corporativa”, Luís diz que todas as cidades que começam a incentivar o uso da bicicleta começam mexendo na infraestrutura. E segundo o cicloativista, Curitiba ainda tem pouca infraestrutura cicloviária. Mas não é só isso que incentiva as pessoas a saírem de casa sobre duas rodas. São necessárias campanhas que incentivem a mudança de hábito. Curitiba, diz Luís, é a cidade mais motorizada do País, motivo pelo qual os curitibanos ainda resistam a trocar o carro pela bike. “No dia 13 de maio é o Dia Nacional da Bicicleta ao Trabalho. Curitiba não fez nada em relação a isso. Nas empresas e nas escolas, a bicicleta ainda é um deslocamento incomum. Pessoas associam o modal com pobreza ou brincadeira”, critica.

Na visão dele, há vários tipos de pequenas medidas que custam pouco para as empresas, mas que podem se reverter em enormes ganhos financeiros, de produtividade e saúde, como abono de horário para quem usa a bicicleta, reconhecimento dos funcionários que vêm de bicicleta, estrutura para que a pessoa possa usar o modal (bicicletário, vestiário, espaço para manutenção, etc.).

Gestão

Em alguns países da Europa, empresas que possuem mais de 100 empregados são obrigadas a ter um gerente de mobilidade corporativa, com planos e metas de redução do uso do carro. Em Curitiba, a estimativa é que 8 a 10% dos deslocamentos urbanos sejam feitos de bicicleta, enquanto em Copenhagen, na Dinamarca, esse índice passa de 30%. Nem a neve impede a população de usar o modal. “Mobilidade sustentável é aquela em que você pode escolher o seu modal por opção”, analisa Luís.

Estudar trânsito só com 18 anos

Foto: Antônio More

Em Curitiba, a estimativa é que 8 a 10% dos deslocamentos urbanos sejam feitos de bicicleta. Foto: Antônio More

No Brasil, as pessoas só costumam estudar sobre trânsito quando estão prestes a tirar a carteira. Não há a tradição de já se falar do assunto ainda na escola, com as crianças. Muitos ciclistas também acham que é só pegar a bicicleta e sair pedalando, sem saber que existe uma legislação de trânsito aplicada à bicicleta e que o ciclista tem direitos e deveres. Assim pensa José Carlos Assunção Belotto, coordenador do programa Ciclovida, da UFPR, e presidente da Federação Paranaense de Ciclismo.

Ele acredita que, se desde a infância as pessoas começassem a estudar o assunto, o trânsito seria muito mais seguro. Não é só o motorista que tem que aprender a se comportar. Um modal influencia no outro e, assim, todos precisam aprender a se portar no trânsito.

De 2002 para cá, diz José Carlos, muito da mobilidade melhorou na capital. Mas, ainda está longe do ideal, principalmente quando se compara Curitiba com outras cidades com alto uso da bicicleta. “A convivência com o motorista melhorou e eles passaram a perceber mais a bicicleta. Mas ainda é difícil andar em Curitiba”, analisa. José Carlos reconhece que a bicicleta não é para todos, pois há pessoas que, por motivos diversos, não conseguem encaixar o modal no seu deslocamento diário. Mas há uma parcela muito grande de pessoas que poderiam usar a bicicleta, mas não querem deixar o conforto do carro.

Para tentar convencer as pessoas a usarem a bicicleta, o projeto Ciclovida elaborou um simulador, que calcula quantas calorias a pessoa perde, quantos quilos de gases poluentes deixam de ser emitidos na atmosfera e quando economizará de dinheiro (combustível, manutenção do carro ou passagem de ônibus). Veja no Ciclovida e clique em Simulador.

VOCÊ SABIA?

Segundo o artigo 58 do Código de Trânsito:
– Bicicletas têm preferência no trânsito sobre outros veículos
– Quando não há ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, é obrigatório ao ciclista andar no canto da pista (não rente ao meio-fio) e no sentido do trânsito
– O ciclista só pode andar no sentido contrário ao trânsito se houver ciclofaixa

É obrigatório:
– Elementos refletivos (branco na frente e vermelho atrás)
– Espelho retrovisor, que permite uma visão mais rápida e precisa, sem girar a cabeça
– Campainha, para alertar os demais usuários do trânsito

Recomendável:
– Luzes, branca na frente e vermelha intermitente atrás. Elas devem ser vistas a 100 metros de distância. Prefira o LED, mais potente e duradouro
– Capacete
– bem ajustado à cabeça, para evitar que escape da cabeça numa queda

Segurança:
– Mantenha distância dos veículos em movimento e estacionados
– Cuide para a roda dianteira não atingir obstáculos (buracos, poças de água, etc.). Você pode capotar!
– Fique atento a tudo ao seu redor. Não use fones de ouvidos ou fale ao celular
– Se quer respeito, respeite você também semáforos e sinalização
– Use roupas adequadas, principalmente claras e com reflexivos, para ser visto principalmente à noite
– Evite ficar em pontos cegos (entre carros, ônibus e caminhões)
– Nos semáforos, posicione-se na frente dos carros. Assim, será impossível não ser visto
– Não pare na faixa de pedestre e espere o sinal verde. Use a bici caixa quando houver
– Planeje sua rota usando a infraestrutura cicloviária ou ruas de pouco trânsito
– Antes de sair, verifique pressão dos pneus, freios e altura do guidão e selim
– A calçada é dos pedestres. Se precisar andar por ela, levante da bicicleta e caminhe

Fontes: Código de Trânsito Brasileiro e Guia do Ciclista (acesse: Mais Bici)

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Sobre o autor

Giselle Ulbrich

Giselle Ulbrich

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26 Comentários em "Minha bike, minha vida!"


adriano
adriano
1 ano 22 dias atrás

perfeita esta matéria, sou louco por bike vou trabalhar de santa felicidade ao centro cívico todos os dias há dez anos e vejo que existe desrespeito por todos os lados seja de motoristas que não respeitam o ciclista e ficam buzinando,achando que as ruas são só dos automóveis, pedestres desatentos,ciclistas que não respeitam a sinalização,precisamos todos de consciência, no de mais todas as ideias são validas para melhorar o transito da cidade.

MARIA JOSE DE SOUZA
MARIA JOSE DE SOUZA
1 ano 25 dias atrás

Parabéns pela matéria. Eu começou a vir para o trabalho em janeiro/16 – pedalo 11 km na vinda e 10 km no retorno… Me livrei de uma enxaqueca cronica graças ao habito de pedalar.
Sem contar que chego 40 minutos antes em casa a noite. Agora neste horario temos que aumentar a atenção pois escuresse muito cedo.
Qualidade de vida, economia, e cuidar da natureza. Isso faz bem ao universo, Como diz o Papa Francisco em seu documento LAUDATO SI, é preciso cuidar da casa comum.

Adolfo
Adolfo
1 ano 1 mês atrás

A tal da via calma é perigosa sem proteção por tachões. Não fosse isso seria segura, como aquela ciclofaixa da Mal Floriano, que tem essa proteção. Nesse casao as canaletas são mais seguras.
Quanto à ciclorrota, isso é uma piada.
Em Curitiba é risco de morte trafegar na rua.
Convido qualquer desses engenheiros entendidos para andar comigo para ver.
Ando há 35 anos de bike e sei o que falo.

Denis
Denis
1 ano 1 mês atrás

Concordo em fazer ciclovias quando se tem espaco.As ruas nao foram planejadas para carros e bicicletas conviverem juntos.Brasil sempre atrasado.

Antônio Leão
Antônio Leão
1 ano 1 mês atrás

Falta lugar para deixar a bicicleta tem que amarrar em poste placas de sinalização, que tal um estaciobike nas praças.

RoCS
RoCS
1 ano 1 mês atrás

Eu aposto que não tem um ciclista em Curitiba que não ande montado em cima da calçada. Além disso, muitos andam na contramão, não respeitam semáforos, param sobre as faixas de pedestres, entre outras infrações… Não é difícil que nessas circunstâncias sofram acidentes e intimidem os pedestres.

Fernando
Fernando
1 ano 1 mês atrás

Excelente matéria. Bem completa. Penso eu que, um dos maiores problemas de se andar de bike em Curitiba é o fato de não ter onde parar com segurança. Se vai a um banco, loja, ou algum prédio no centro, não posso simplesmente passar uma corrente num poste e deixar a bike. Uma boa bike hoje não saí por menos de mil reais, eu mesmo tenho duas acima de dois mil e quinhentos. Não vou a lugar algum com elas que tenha que deixar presa a um poste ou árvore. Custou caro e não se pode financiar como um carro…

Guima Rães
Guima Rães
1 ano 1 mês atrás
Se não há dados confiáveis, como o Luis (Cicloiguaçu) diz que 10% dos deslocamentos são feios de Bike. De onde ele tirou isso? Eu vou de bike ao trabalho todos os dias, desde que esteja mais que 15ºC, ou não esteja chovendo. Comparar o Curitiba com Copenhagen não dá né…(Brasil com Dinamarca) IDH 0,75 contra 0,92…fala sério. Compare Curitiba com Porto Alegre ou Campinas, que são mais ou menos do mesmo tamanho. A bicicleta é uma alternativa para quem pode e quer, nunca vai ser a solução para mobilidade. Imagine se a metade dos motoristas de Curitiba deixassem o carro… Leia mais »
Regina Biscaia
Regina Biscaia
1 ano 1 mês atrás

Boa tarde!

Apenas esclarecendo: o que falamos é que não há estatística oficial sobre o tamanho da frota. O dado citado pelo Luís é uma estimativa referente a Curitiba.

fernando rocha
fernando rocha
1 ano 1 mês atrás

Mas Curitiba deveria investir em ciclo faixas em todos os bairros da cidade. Andar de bicicleta traz muitos benefícios, não só para o meio ambiente. A saúde também agradece

WILLIAN
WILLIAN
1 ano 1 mês atrás
Bom, essa é uma tendência mundial, o uso de bicicleta, já que carro ocupa muito espaço! Pena que no Brasil os investimentos na área são ridículos, aliás o que no Brasil é feito com seriedade? Eu mesmo não venho de bicicleta, por que para minhas redondezas não tem boas ciclovias e onde tem são mal iluminadas, com um risco alto de assaltos! Pois bem, seria interessante também criar um bicicletário bom em terminais, locações de bicicletas no eixo central, descontos em impostos para quem usa bicicleta!! Convenha bicicleta por sí só é uma pá de economia, pois ajuda na saúde… Leia mais »
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