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Curitiba

Alvos do descaso

Placa instalada perto da fábrica da Setran, na Cidade Industrial, revela a dimensão do abandono. Foto: Átila Alberti
Luiza Luersen
Escrito por Luiza Luersen

Quem é motorista e circula pela capital paranaense, certamente já deve ter reparado na grande quantidade de placas de trânsito danificadas, escondidas e, em alguns casos, praticamente inutilizadas, pelas ruas. Algumas delas foram destruídas pelo tempo, colisões ou por atos de vandalismo. Conforme a Prefeitura de Curitiba, o gasto anual com manutenção e confecção de placas de sinalização é cerca de R$2,5 milhões.

“Ao longo do ano, produzimos em nossa fábrica cerca de 10 mil placas, e isso representa uma pequena porcentagem da quantidade que temos em Curitiba. Nós não temos efetivo para fiscalizar isso, então nós trocamos e fazemos a manutenção conforme contato de moradores, via 156 e outras solicitações são repassadas pelo órgão. Mas mesmo assim, são poucos contatos comparado a quantidade de placas na cidade”, reconheceu a diretora de Engenharia da Superintendência de Trânsito (Setran), Gisele de Oliveira.

Por conta da ação de vândalos e até mesmo de motoristas, que muitas vezes batem nas placas e deixam o local como se nada tivesse acontecido, o gasto é alto para os cofres públicos. Conforme dados da Setran, cada placa custa em média R$250 reais para ser confeccionada. Ainda de acordo com a Setran, atualmente, não há como calcular de forma precisa a quantidade de placas existentes nas ruas da cidade, mas a importância delas para o trânsito seguro é inegável.

“Quando a Setran consegue identificar o responsável, essa pessoa é acionada via justiça para ressarcir danos ao município. O problema é que dificilmente conseguimos achar o autor dos danos, ou até mesmo ficar sabendo que o dano foi causado. Normalmente, recebemos o aviso de terceiros, pessoas que moram ao lado do acidente e entram em contato para informar quem foi. Atualmente nós priorizamos a substituição de placas que indicam parada obrigatória, já que essa é uma placa de extrema importância. Os moradores da cidade podem colaborar através do 156”, reforçou.

Tá amarrada

Para comprovar a situação, a reportagem da Tribuna do Paraná circulou por diversos bairros da cidade e até mesmo na Rua Benedito Carollo, na Cidade Industrial, onde fica a fábrica de placas da Setran, há uma placa que indica o nome da rua, “amarrada” em uma placa de “PARE”. De acordo com a Prefeitura, quem é responsável por placas com nome de ruas, é a Urbanização de Curitiba (Urbs). Por telefone, através de sua assessoria de imprensa, a URBS disse apenas que “a quantidade é grande para haver fiscalização” e que “solicitações são atendidas quando feitas via 156”.

Outros flagrantes que chamam atenção são as placas “fantasmas”, placas caídas no meio da rua, amarradas em postes e até mesmo servindo como suporte para fiações de luz e telefone. Algumas, ainda estão cobertas por árvores e postes. A reportagem encontrou até mesmo uma placa de sinalização na Cidade Industrial, que indica o limite de velocidade, repleta de tiros. Em nota a Setran confirmou o recebimento das fotos enviadas pela Tribuna do Paraná e disse que “nos próximos dias vai verificar a situação das placas e a possibilidade de reparos e melhorias nos locais repassados pela Tribuna”.

Maus exemplos

Em diversas regiões de Curitiba, desde a parte Sul até a Norte da cidade, foram constatados diversos exemplos de placas de sinalização vandalizadas, destruídas e que pouco ajudam na orientação de motoristas e pedestres. Acompanhe abaixo alguns destes maus exemplos. Todas as denúncias foram repassadas à Setran:

A Unidade de Sinalização Urbana de Curitiba, na Rua Benedito Carolo, esquina com a Avenida Jucelino Kubitschek, é o local onde as placas instaladas pela Setran nas ruas de Curitiba são confeccionadas. A placa com o nome da rua está amarrada em uma placa de Pare. Uma “bela” gambiarra. Foto: Átila Alberti

A Unidade de Sinalização Urbana de Curitiba, na Rua Benedito Carolo, esquina com a Avenida Jucelino Kubitschek, é o local onde as placas instaladas pela Setran nas ruas de Curitiba são confeccionadas. A placa com o nome da rua está amarrada em uma placa de Pare. Uma “bela” gambiarra. Foto: Átila Alberti

 

Na saída da Rua Padre Agostinho, rumo à BR-277, sentido Campo Largo, no bairro Campina do Siqueira, um arbusto serve de apoio para uma placa de sinalização. Não por acaso, o conjunto das formas lembra a bandeira do Brasil. Foto: Átila Alberti

Na saída da Rua Padre Agostinho, rumo à BR-277, sentido Campo Largo, no bairro Campina do Siqueira, um arbusto serve de apoio para uma placa de sinalização. Não por acaso, o conjunto das formas lembra a bandeira do Brasil. Foto: Átila Alberti

 

Nesta imagem temos um exemplo de placa de trânsito mal instalada. Para quem é motorista, é difícil identificar a placa, praticamente escondida atrás dos postes. O flagra foi feito no início da Rua Lysimaco Ferreira da Costa, nas proximidades da Prefeitura de Curitiba, Centro Cívico. Foto: Átila Alberti

Nesta imagem temos um exemplo de placa de trânsito mal instalada. Para quem é motorista, é difícil identificar a placa, praticamente escondida atrás dos postes. O flagra foi feito no início da Rua Lysimaco Ferreira da Costa, nas proximidades da Prefeitura de Curitiba, Centro Cívico. Foto: Átila Alberti

 

O cruzamento da Rua Reinaldino de Quadros com a Padre Germano Mayer, no Alto da XV, costuma exigir atenção, devido a passagem da linha férrea. Na imagem, vemos uma placa de Pare de ponta cabeça, com um pneu pendurado. Foto: Átila Alberti

O cruzamento da Rua Reinaldino de Quadros com a Padre Germano Mayer, no Alto da XV, costuma exigir atenção, devido a passagem da linha férrea. Na imagem, vemos uma placa de Pare de ponta cabeça, com um pneu pendurado. Foto: Átila Alberti

 

Há dias, esta placa de Pare foi arrancada e permanece jogada neste canteiro, na esquina das ruas Manoel Eufrasio e Guarda Mor Lustosa, no bairro Juvevê. É muito comum encontrar placas arrancadas ou com os postes entortados, prejudicando a efetividade. Foto: Átila Alberti

Há dias, esta placa de Pare foi arrancada e permanece jogada neste canteiro, na esquina das ruas Manoel Eufrasio e Guarda Mor Lustosa, no bairro Juvevê. É muito comum encontrar placas arrancadas ou com os postes entortados, prejudicando a efetividade. Foto: Átila Alberti

 

Além das placas deterioradas, muitas acabam escondidas pela vegetação. Ao percorrer algumas ruas da cidade foram feitos registros em várias situações similares. Esta da imagem, foi flagrada ao lado do Terminal do Cabral. Foto: Átila Alberti

Além das placas deterioradas, muitas acabam escondidas pela vegetação. Ao percorrer algumas ruas da cidade foram feitos registros em várias situações similares. Esta da imagem, foi flagrada ao lado do Terminal do Cabral. Foto: Átila Alberti

 

Tudo parado

Sobre o autor

Luiza Luersen

Luiza Luersen

Jornalista formada pela Universidade Positivo e pós-graduanda em Mídias Digitais e Jornalismo Esportivo.

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4 Comentários em "Alvos do descaso"


Marcio
Marcio
10 dias 14 horas atrás

depois desta noticia da prefeitura, pode apostas, lá vem mais impostos.

Tekomo
Tekomo
10 dias 15 horas atrás

Superintendência de Trânsito (Setran)? Você quis dizer Secretaria Municipal de Trânsito (SETRAN)?

o meu paraná é alvinegro
o meu paraná é alvinegro
11 dias 11 horas atrás

ótima reportagem esses dias comecei a refletir isso pois tenho vista muitas placas danificadas,uma coisa que já vejo errado de cara,é que as placas são fixadas no chão com pouco cimento,deveriam ser chumbadas num bloco de concreto e as bases das placas deveria ter base maior pra se fixar menor e não serem danificadas fácil mente ,só esses dois ajustes já diminuiria um monte as placas arrancadas,mais não isso ai deve gerar muita grana pros envolvidos

Carlos
Carlos
11 dias 12 horas atrás

Infelizmente não existe “tanto descaso” e sim falta de educação da população que faz vandalismo com as placas, também ajuda a piorar a situação os acidentes de danificam ou destroem a sinalização. São produzidas e existe um custo alto com isso, para melhorar outras áreas perderão recursos, educação é a solução (mas por ser Brasil uma utopia)

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