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Cajuru

Fim da trégua

Não tem um comércio que ainda não foi assaltado. Essa foi a frase mais dita por quem trabalha e mora próximo à Rua João Tobias de Paiva Netto, no Cajuru, em Curitiba. Segundo as pessoas, o bairro, que na semana passada foi notícia por causa de uma idosa vítima de bala perdida, está cada vez mais perigoso.

“A gente achou que a onda de crimes tinha passado. Mas foi só uma trégua, porque o ano começou com tudo”, disse, sem se identificar, uma das funcionárias de uma loja de variedades roubada no último sábado (11). Bandidos levaram cerca de R$ 3.700 em mercadorias na ação. Parte do roubo foi recuperada, mas mesmo assim ficou o prejuízo.

Foto: Reprodução

Bandidos conseguiram levar R$ 3.700 de uma loja do bairro. Foto: Reprodução

Os assaltantes estavam de carro. Ao entrar no estabelecimento, se passaram por clientes, mas logo obrigaram os funcionários a ajudar. Na sequência, foram flagrados por uma equipe da Guarda Municipal e houve tiroteio. “A mulher, que não tinha nada a ver com a história, foi atingida. E isso poderia ter acabado muito pior”, comentou a funcionária.

Na fuga, os assaltantes bateram o carro e fugiram com o que conseguiram levar. “Ninguém foi preso, mas pelo menos recuperamos parte do que foi roubado. O que tememos é que a gente sabe que uma hora eles vão voltar”.

Fazendo a limpa

População reclama da falta de segurança no bairro. Foto: Jonathan Campos

População reclama da falta de segurança no bairro. Foto: Jonathan Campos

Segundo os comerciantes, policiamento sempre tem, mas o que aconteceu em plena luz do dia foi um reflexo do que vem acontecendo sempre. O que falta, para essas pessoas, é aumentar a sensação de segurança. “Tem loja que é assaltada todo mês. É rotina. Nós sabemos que, se não assaltarem aqui, vão roubar ao lado. Num salão de beleza, por exemplo, já chegaram a deixar clientes em pânico”, contou a vendedora de um pet shop.

O perigo e o medo não são exclusivos dos comerciantes. Logo que viu a presença da reportagem na rua, a cliente de uma lotérica começou a contar o que o povo passa nos pontos de ônibus todos os dias. “Assaltos à mão armada, sempre muito cedo, quando o ponto está cheio de gente. Lá em casa, mudamos um pouco a rotina e a gente sai de casa faltando poucos minutos para o ônibus chegar, porque se não, somos o alvo da vez”, disse a mulher, que também não se identificou. Conforme a mulher, além de armados, os bandidos são sempre violentos.

Violência à luz do dia

Homem assalta duas pessoas em menos de 15 minutos. Foto: Reprodução

Homem assalta duas pessoas em menos de 15 minutos. Foto: Reprodução

Outro relato da violência no Cajuru foi feito por um morador da Rua Wenceslau Teixeira Alves. As câmeras de segurança da casa do rapaz, que tem 26 anos e pediu para não ser identificado, registraram um assalto a uma moça logo pela manhã, por volta das 6h40.

Na ação, que aconteceu um dia antes do roubo à loja de variedades, os bandidos parecem ter se preparado e esperaram o alvo. “Chegaram de carro, um deles ficou dentro do veículo, enquanto o outro abordou a menina, que seguia para o trabalho. Ela não teve nem como gritar”, contou o rapaz. Na volta para o carro, o bandido ainda roubou outro pedestre, que passava na esquina.

Em uma rápida passagem pela rua, os moradores disseram que o único jeito é aumentar a segurança de casa com monitoramento, alarmes e tudo o que mais conseguirem. “Estamos reféns. Os bandidos agem sabendo que não vão ser punidos. Eles sabem que podem chegar e fazer com a gente o que eles quiserem. Quem vai querer reagir?”, comentou um idoso de 69 anos, morador do Cajuru há 25 anos.

Os moradores relataram que costumam ouvir tiroteios também. “Aí você me pergunta se tem polícia e eu respondo que sim, tem. A PM, por exemplo, tem feito o papel que lhe cabe. Mas o que adianta? Prendem num dia e soltam no outro”, desabafou o homem. “A gente sai pra trabalhar, mas não sabe se volta. Essa é a realidade”, completou outra moradora.

PM na área

O 20º Batalhão da Polícia Militar (PM), responsável pelo policiamento na região, informou que tem feito trabalho preventivo e ostensivo no bairro Cajuru, que já resultou em prisões e apreensões. Ainda de acordo com a corporação, os policiais que se formaram recentemente já estão atuando na região, que tem ainda uma Unidade Paraná Seguro (UPS). De qualquer forma, a PM, reforçou o pedido de que a população mantenha o contato via 190 e registre os fatos, através de boletins de ocorrência, com a Polícia Civil.

Leia mais sobre o Cajuru

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Sobre o autor

Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

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15 Comentários em "Fim da trégua"


Mário
Mário
1 mês 5 dias atrás

Saudades da Curitiba década de 70-80- começo de 1990
Naquela época a gente andava de ônibus
Saia na rua a pé
Não tinha favela nem gente de fora …

Todo fim de semana e feriado era no barigui passeando
No centro , na rua xv

André
André
1 mês 9 dias atrás

A bandidagem anda armada e a população desarmada, não poderia ter outro fim. O povo aceitou a lei do desarmamento achando que teria proteção da nossa policia e justiça de mentirinha que mantém solto os bandidos. De fato fica complicado, dificilmente esse cenário vai mudar enquanto o povo continuar sem acesso ao uso de arma própria. Aquela imagem onde o rapaz de moletom assalta duas pessoas, será que ele teria essa tranquilidade se todos tivessem com arma na cintura, ele pensaria 10x antes de praticar o assalto…

Danilo
Danilo
1 mês 9 dias atrás

Acabou de acontecer uma tentativa de assalto do lado da UTFPR. PM disparou uns oito tiros. Prenderam o cara com um facão na mochila. Tá feia a coisa em Curitiba….

Christovam
Christovam
1 mês 9 dias atrás

Se os Militares assumissem este País,, vcs acham que a bandidagem diminuiría? Gostaria que sim..mas a coisa está tão sem controle que dificilmente conseguiria dominar a situação. Vou ser radical e tenho certeza que a médio longo prazo a única solução seria fazer um controle de Natalidade neste País.

eternofuracao
eternofuracao
1 mês 9 dias atrás

kkkkkkkkkkkkk como se as crianças fossem o problema…..acorda cara que mundo você vive… a questão não é militarem assumir, e sim penas mais duras aos bandidos, porte de arma, pena de morte….e por ai vai…

Mauro Majczáck
Mauro Majczáck
1 mês 9 dias atrás

NO Fanny, também! Ontem de manhã, assalto à mão armada e levaram o veículo. Taí, enquanto os políticos continuarem sendo os chefes de quadrilhas, vai continuar assim! É a única explicação, por não desarmarem bandidos! “Lei do Castelo JÁ!”

eternofuracao
eternofuracao
1 mês 9 dias atrás

Isso também é reflexo do que vem acontecendo em nosso País, muita gente vindo de outros estados para morar em Curitiba, e nessa leva vem muito vagabundo…moro no Cajuru a mais de 20 anos, a unica coisa que tinha lá eram “bandidos de galinhas”, que mesmo assim a policia dava fim….agora com o numero de gente aumentando…fica difícil controlar mesmo, não podemos culpar o policiamento, pois o que falta na verdade é efetivo para abranger nossa Curitiba que cresce a cada dia que passa….

Exterminador
Exterminador
1 mês 9 dias atrás

Ninguém precisa mais comentar. O Leandro disse tudo com maestria e sabedoria. Quem foi perseguido no tempo do regime militar é porque era vagabundo e não gostava de trabalhar. E bandido ia pra vala mesmo. Saudades.

Mário
Mário
1 mês 9 dias atrás

Víde Chico Buarque e afins …

Toda a corja que era perseguia e sobreviveu hj está no poder , vide Dirceus , Dilmas, lulas…

Dante Alighieri
Dante Alighieri
1 mês 9 dias atrás

segundo o seu pensamento, Marília Gabriela, Raul Seixas, FHC,José Serra,Mariguela, Zuzu Angel, o filho dela, Herzog, e muitos outros, são vagabundos e não gostam de trabalhar ?

Leonizia Bastos
Leonizia Bastos
1 mês 9 dias atrás

Infelizmente estamos sem nem uma segurança, os bandidos tomaram conte de Curitiba, assaltos em ônibus,nos pontos que ficamos aguardando o embarque, povo abandonado e sem segurança essa é a verdade.

fernando
fernando
1 mês 3 dias atrás

Curitiba toda está sem segurança, os bandidos tomaram conta da cidade. Antes nos anos 70, 80 e 90 a cidade não tinha tanto bandido como tem agora. Por isso que seria bom se a população toda fosse armada. Se tivesse lei para os cidadãos de bem terem arma, no primeiro assalto, ou no primeiro roubo, com certeza o ladrão ou assaltante iria borrar as calcinhas e não nunca iria roubar e nem assaltar.

Danilo
Danilo
1 mês 9 dias atrás

Curitiba inteira ta assim, infelizmente…

LEANDRO
LEANDRO
1 mês 9 dias atrás

SÃO AS OTORIDADES DANDO VIDA BOA PRA VAGABUNDOS, ENQUANTO A SOCIEDADE VIVE AMENDRONTADA…………NO TEMPO DO REGIME MILITAR ISSO NÃO ACONTECIA, E SE ACONTECESSE, O VAGABUNDO IA COMER GRAMA PELA RAIZ……

Dante Alighieri
Dante Alighieri
1 mês 9 dias atrás

Realmente, no ” Tempo do Regime Militar” , não é que não acontecia, acontecia mas NÃO ERA MOSTRADO, e segundo os militares todos os que eram contra o regime eram “vagabundos”, não estou defendendo os criminosos, mas não se pode rotular, simplesmente por rotular.

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