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Boqueirão

Banco sem lucro

Foto: Ciciro Back.
Adriana Brum
Escrito por Adriana Brum

No imaginário coletivo, bancos só pensam em lucro. Esqueça esse conceito para o NeuroBanco. Inaugurado em janeiro, no Boqueirão, é o primeiro banco comunitário do Paraná. Seu princípio básico é que uma empresa só cresce se a comunidade em que estiver inserida crescer junto. O banco tem papel fundamental, reunindo empresários de atividades afins e oferecendo crédito facilitado.

No NeuroBanco, não há “clientes”, mas “associados”. Passam a fazer parte do grupo com taxa de adesão e têm acesso a serviços como microcrédito, educação financeira e uma moeda social própria para ser usada no comércio do Boqueirão, o neuro. As operações feitas nessa nova moeda não terão juros e as que se mantiverem em real, terão juros abaixo do mercado. Um neuro vai valer R$ 10, sem flutuação.
O principal objetivo é desenvolver uma das regiões mais pobres da região, a Vila Pantanal, que recebeu o projeto-piloto para a criação do NeuroBanco.

Escolha

“Nessa região, 80% das pessoas não têm conta bancária. A moeda social não consulta SPC ou Serasa para conceder o crédito. Consulta gente da comunidade para saber se podemos emprestar o dinheiro para aquela pessoa, concedendo empréstimos a quem muitas vezes não tem nem endereço, mas pode empreender”, diz o agente de inclusão financeira Thiago Müller Gramkow.
Desde fevereiro, o banco angariou 33 associados, entre empresas e autônomos. Grande parte são mulheres artesãs. A ideia é que, com o neuro circulando em paralelo ao real no comércio local, o dinheiro seja reinvestido lá.

Trocadilho com euro

Foto: Ciciro Back.

Dinheiro faz referência com a moeda da União Europeia, euro. Foto: Ciciro Back.

O nome da moeda é um trocadilho com o euro. “Quem tem neuros [de neurônios] não precisa de euros”, destaca o coordenador do banco, Lutero Couto. O novo dinheiro, regularizado pelo Banco Central, ainda não circula: é preciso mais volume de associados. A meta é chegar a 300 até o fim do ano. A princípio, deve ser confeccionada em papel, mas o grupo estuda lançá-la em formato virtual, como aplicativo, reduzindo custos e risco de fraude, já que mesmo a população mais pobre da região do bairro usa smartphones.

Xô, miséria!

O projeto é pensado há 12 anos. A Vila Pantanal já teve o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Curitiba. Hoje, com cerca de 2,4 mil famílias, está na vice-liderança do pior IDH da capital.

“A maior parte da população economicamente ativa na Vila Pantanal é de mulheres”, conta Thiago. Ao conceder o microcrédito e o estímulo ao empreendedorismo, dá a essas pessoas oportunidades de trabalho.

Inspiração

A proposta do NeuroBanco é parecida com a que rendeu o prêmio Nobel da Paz ao economista Muhammad Yunus, que fundou o Grameen Bank eme Bangladesh.

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Leia mais sobre Boqueirão.

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Adriana Brum

Adriana Brum

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5 Comentários em "Banco sem lucro"


Valdir
Valdir
1 ano 10 meses atrás

qual o valor do salario das pessoas que administram o banco, tem carteira assinada, pertecem a sindicato

Thiago Müller
Thiago Müller
1 ano 11 meses atrás

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre nosso trabalho, pode nos acompanhar através das redes sociais: https://www.facebook.com/pages/NeuroBanco-Boqueir%C3%A3o-Banco-Comunit%C3%A1rio/1593869237499775?fref=ts

Lutero Couto
Lutero Couto
1 ano 11 meses atrás

Neuro, a moeda social inteligente, anuncia que é possível construir um Banco que funciona para a comunidade e não contra ela. Em breve em circulação na Regional do Boqueirão. Aguardem!

fernando rocha
fernando rocha
1 ano 11 meses atrás

É uma ideia muito boa para pessoas com menor poder aquisitivo inclusive carentes

silvia
silvia
1 ano 11 meses atrás

Que ideia maravilhosa! Torço muito para que esse projeto se expanda e que seja um divisor de águas na vida de muitas pessoas. Parabéns pela significativa matéria, Adriana Brum!

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