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Batel

Virou bagunça

Por Maria Luiza Piccoli

Hambúrguer artesanal, chope geladinho, música e curtição. Difícil quem não goste de tudo isso, ainda mais em um ambiente urbano refinado, cercado por estabelecimentos badalados e bem localizados. O problema é quando a festa vira bagunça, a curtição vira arruaça e a diversão de poucos se transforma em desrespeito e perturbação para muitos. É isso que tem acontecido no Batel, mas especificamente na Rua Coronel Dulcídio, onde o Hauer Shopping ­ tradicional da região – acabou se transformando em reduto noturno de barzinhos e hamburguerias.

Tudo começou há cerca de dois anos, com a abertura de alguns bares de drinks no lugar, que antes funcionava como centro conveniência e serviços. Com o aumento de público, muitos comerciantes enxergaram o potencial gastronômico do ponto e não demorou muito para que os pubs e bares tomassem conta do estabelecimento. A ideia de transformar o shopping em “point” foi bem aceita em um primeiro momento. A movimentação do público jovem e o funcionamento em horário estendido trariam “novos ares” ao centro comercial, até então pacato.

O que aconteceu, no entanto, não foi exatamente isso. Com a nova movimentação, vieram novos problemas: barulho, tumultos, perturbação do sono, som alto, comércio ilegal e até consumo e venda de drogas. Diante disso, os lojistas que estão há mais tempo no polo comercial começam a migrar para outros pontos, por conta das arruaças e principalmente pela própria segurança.

"Os lojistas têm sido muito prejudicados", diz Danilo. Foto: Felipe Rosa.

“Os lojistas têm sido muito prejudicados”, diz Danilo. Foto: Felipe Rosa.

Pesadelo

Uma comerciante, que não quis ser identificada, contou que desde a abertura dos bares, a rotina dos demais lojistas virou um “pesadelo”. “O ‘circuito’ de festas começa quarta-feira e vai até sábado. Nesses dias, quando chego de manhã para abrir a loja, a situação é apavorante. Sujeira por todos os cantos, lixo, urina e até fezes humanas na minha porta”, reclamou. A lojista afirma que o cenário é tão grave, que parte da sua clientela “debandou”, e ela pretende deixar o ponto o mais breve possível, depois de 14 anos funcionando no mesmo local. “Não tenho condições de continuar aqui, infelizmente”, lamentou.

De acordo com o diretor da Associação dos Lojistas do Hauer Shopping, Danilo Leopoldino da Silva, apenas sete das 24 lojas resistiram à “onda dos barzinhos” – e mesmo assim, algumas já declararam que vão fechar, ou mudar de ponto. “Isso mudou totalmente a configuração comercial do Hauer Shopping. Questão de horário, segurança, público, enfim. Os lojistas tradicionais daqui têm sido muito prejudicados, principalmente no que diz respeito à limpeza e limite de espaço. É muito triste ver tantos comerciantes encerrando as atividades e perdendo clientes”, afirmou.

Foto: Giuliano Gomes.

Foto: Giuliano Gomes.

Rastros da balada

Não são apenas os lojistas e empresários que têm sofrido com a bagunça. Cansados, moradores das imediações da Rua Coronel Dulcídio, organizaram um abaixo-assinado e começam a procurar as autoridades em busca de uma solução. A questão, inclusive, já chegou à Câmara Municipal de Curitiba. Na sessão do dia 25 de setembro, o assunto foi discutido após o vereador Felipe Braga Côrtes (PSD) exibir no telão uma fotografia que ele tirou e divulgou em seu Facebook. Na imagem é possível ver a sujeira deixada na rua, em uma manhã de sábado, após uma noite de baladas.

De acordo com Côrtes, a questão se tornou um problema de ordem de segurança pública, uma vez que além do barulho, existem relatos de consumo e venda de entorpecentes na região, além do comércio irregular de bebidas alcoólicas. “A Guarda Municipal têm feito as rondas da área, mas não possui legitimidade para aplicar multas ou fiscalizar o comércio ilegal. Por isso, sugerimos que o órgão tenha autorização para tanto”. O vereador ainda explica que solicitou à prefeitura e à Polícia Militar reforço nas ações de patrulhamento na região.

Foto: Giuliano Gomes.

Foto: Giuliano Gomes.

Policiamento

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que, por meio do Gabinete de Gestão Integrada Municipal de Segurança Pública, tem deflagrado, semanalmente, a operação “Balada Protegida”, com ações educativas, e com o objetivo de garantir a ordem na Rua Coronel Dulcídio e outros pontos de atividade noturna de Curitiba. Também em nota, a Polícia Militar citou que, por meio do 12º Batalhão, tem feito o policiamento diário pelas ruas da área central, inclusive na Coronel Dulcídio, de várias formas. Segundo a PM, os módulos móveis têm sido aplicados na região para policiamento comunitário. A patrulha tem sido feita tanto com viaturas quanto com motocicletas, em momentos e locais com grande circulação de pessoas.

Quanto ao uso de drogas neste ponto específico, a PM admite que a situação é um problema social e de saúde pública, e reitera que se os usuários de drogas cometem crimes, a questão se torna, também, problema de polícia. Nestes casos, a atuação é feita quando a situação se caracteriza como tráfico. Segundo a PM, caso as equipes policiais flagrem alguma situação de criminalidade sendo cometida, a abordagem é feita, e os suspeitos, identificados e encaminhados.

A PM pede também o apoio da população, que pode denunciar por meio do 190 e do 181 Narcodenúncia. Além disso, se os comerciantes ou moradores já possuírem características de marginais ou informações como placas de veículos que perturbem ou ameacem a região, as mesmas devem ser repassadas à Policia Civil, que é responsável pela investigação e identificação de suspeitos.

Sobre o autor

Tribuna do Paraná

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Buscamos os mais variados tipos de histórias na Grande Curitiba e litoral: curiosas, engraçadas, problemáticas, exemplos de vida... E-mail: cacadores@tribunadoparana.com.br

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31 Comentários em "Virou bagunça"


A Gabardo
A Gabardo
12 dias 11 horas atrás

O problema é a falta de fiscalização da prefeitura, pelo jeito estão fazendo vista grossa, será que uns dos proprietário tem haver com alguém da Prefeitura? Se vendem bebidas alcoólicas para menores, tem bagunça, os estabelecimento funcionando de forma irregular e a falta de ordem no local, isso chama-se vista grossa !!

Paulo Brificado
Paulo Brificado
12 dias 11 horas atrás

Manda umas kombis da FAS pegar esses arruaceiros e lava eles pro lugar de arruaceiros caipiras: vitoria vila.

Pedro
Pedro
12 dias 18 horas atrás
Fosse somente na região do Batel, seria mais fácil resolver, mas é um problema que vem crescendo, dia a dia, a liberação de alvarás sem questionamentos para este tipo de comércio, principalmente para venda de bebida alcoólica. Os que transitam ou moram na região da Trajano Reis, Pça do Gaúcho, sabe bem o que é isso, lixo de todo o tipo, drogas, muita droga, fazem as necessidades fisiológicas na rua, na frente de outros comércios, casas, muro do cemitério, morte virou uma rotina na região, o poder público, esse não existe, aparece apenas pra cobrar e criar impostos. E viva… Leia mais »
o meu paraná é alvinegro
o meu paraná é alvinegro
12 dias 21 horas atrás

nem moro na região mais trabalho,ta f… transitar na aquela região imagine morar,se fosse em vila já teriam acabado,os proprietários dos bares deveriam ser obrigados a limparem as frentes dos seus estabelecimentos,outra coisa deveria ser cercado as ruas com floreiras para as pessoas não invadirem as pistas de rolamento,e não a prefeitura colocar carro bloqueando uma pista pra essa playboyzada curtir

Evandro
Evandro
12 dias 22 horas atrás

Pelo jeito a maioria aí nos comentários nunca c divertiram são todos santinhos..ow povinho chato.

Franco Atirador
Franco Atirador
12 dias 19 horas atrás

O que você “entende” por diversão para a grande maioria de pessoas de de bem é baderna, ninguém está proibido de se “divertir” mais como humano, respeitando o direito alheio, quem assim não procede é uma besta e como tal tem que ser punida.

Fábio Luiz Mendes Mulazani
Fábio Luiz Mendes Mulazani
12 dias 22 horas atrás

É lamentável que minha cidade tenha chegado neste estágio degradante.
Nasci e cresci no auge da sociedade responsável, dos governantes responsáveis e das autoridades respeitadas.
Atualmente, estão tornando tudo verdadeiros pandemônios, com total ausência do Poder Público.
Mas isso tudo reflete-se da transição de governos nos idos de 70/80, quando os ditos democráticos assumiram o poder, permitindo até que hoje, que tais deputados e senadores, verdadeiras vergonhas paranaenses representem a derrocada da ética, moral e bons costumes.
Mas para todo problema, com esperança, sempre tem uma solução:
#ÉmelhorJAIRseAcostumando

cesar cesar
cesar cesar
12 dias 23 horas atrás

a gazeta foi lá fotografar a sujeira e encontrou pela manhã a rua varrida e o lixo ensacado., sinal que o poder público já tem atuado na responsabilização dos barres quanto a limpeza.

Cesar
Cesar
12 dias 23 horas atrás

Batel está abandonado ! Ruas sem calçadas… muitas intransitáveis … em torno das ” baladas” muita gritaria, correria , uso ostensivo e provocativo de drogas, menores de embriagados . Região amanhece no meio dos restos de uma batalha campal, uma imundície ! Poder público omisso ! …

Cesar
Cesar
12 dias 23 horas atrás

Batel está insuportavel…calçadas esburacadas, falta de calcadas , sujeira e abandono ! Em torno das “baladas” os dias amanhecem como se tivesse havido uma batalha campal ! Durante a noite … gritaria, correria, uso ostensivo e provocativo de drogas ,! Um verdadeiro inferno !

Mário
Mário
6 dias 18 horas atrás

Batel não é mais batel
César
Pelo menos aquela parte . Até um ano atrás , aquele shopping hauer estava mofando . Bastou dois barzinhos para “universiotarios” que começou o “fervo”

Anti-lixo
Anti-lixo
12 dias 23 horas atrás

faça o dono dos bares limparem a sujeira dos seus clientes

fernando
fernando
12 dias 23 horas atrás

O certo seria isso mesmo, fazer os donos porcalhões dos bares a limparem a sujeira dos clientes assim que fecharem os bares e hamburguerias.

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