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Viagem e Turismo

Caloroso e esplêndido Deserto do Atacama

  • Por Luciana Cristo

Uma experiência para o coração e para a alma, aos turistas aventureiros e também àqueles que procuram tranquilidade. Paisagens de tirar o fôlego, um povo hospitaleiro e um céu imensamente estrelado – que de deslumbrante só fica atrás do da Antártida.

Sair da realidade das grandes ou pequenas cidades para embarcar numa aventura fascinante junto à natureza, bem distinta daquela a que estamos acostumados no Brasil. Destino: o Deserto do Atacama, ao norte do Chile.

Diferente do que se pode pensar, o deserto mais árido do mundo está longe de ser “apenas areia”. As formações rochosas do Vale da Lua, o fenômeno natural dos Gêiseres de Tatio, a beleza colorida das Lagunas Altiplânicas e a experiência inusitada de um banho aquecido nas Termas de Puritama são apenas alguns exemplos de paisagens que encantam o turista, combinados com a hospitalidade local e com o silêncio tranquilizador que permeiam o Atacama.

As Três Marias (abaixo) e uma cabeça de dinossauro que parece nascer das pedras (acima) são algumas das formações curiosas no Vale da Lua.

Você sente o clima diferente assim que coloca os pés fora do avião. O aeroporto de Calama – o mais próximo de São Pedro de Atacama – fica em meio ao deserto. É impossível não se impressionar com a paisagem logo de cara.

A viagem de carro até São Pedro de Atacama – base mais procurada para todos os passeios do deserto – dura cerca de duas horas, tempo que você aproveita para se acostumar com o novo ambiente: pequenas casas rústicas (feitas de pedras, principalmente liparita, barro e palha seca, e muitas com a utilização de cactus), pouca iluminação e ruas estreitas, de terra e areia.

E é justamente nessas ruas pequenas que o Atacama começa a se revelar. O clima, seco, também já se faz sentir logo nas primeiras horas e pode fazer o nariz sangrar ou a garganta fechar (por isso, água, muita água).

Na cidade de São Pedro de Atacama, que abriga não mais que dois mil habitantes, a média de chuva é de apenas oito dias durante o ano todo. E, mesmo assim, chuvas rápidas, porque a umidade da Amazônia é freada pela Cordilheira dos Andes e pela Cordilheira do Sal.

Muitas vezes, como contam os moradores locais, é possível ouvir trovões e ver relâmpagos, sem que a chuva chegue até o Atacama. E, quando ela finalmente vem, provoca grande erosão. Por isso, é certo que você vai encontrar dias ensolarados e brilhantes durante o passeio.

De carro, a pé, cavalgando ou pedalando, o importante é descobrir os pontos turísticos naturais que, por uma decisão governamental, são gerenciados pelos próprios povos de cultura atacamenha.

No Atacama, não se pode reclamar do serviço prestado aos turistas. Embora diferente das grandes cidades, há opções para todos os gostos e bolsos. Além disso, há cuidados básicos que fazem a diferença. Um exemplo são os banheiros limpos e com pessoal para cuidar do local, em pleno deserto.

Paisagens pitorescas nos vales da Morte e da Lua

Antes de virar ponto turístico, o Vale da Lua chamava atenção de astrônomos: céu do Atacama é dos melhores para observar astros celestes.

A semelhança com o solo lunar, com interessantes formações de pedra, sal e areia, é a característica que dá o nome de Vale da Lua à lo,calidade que fica a oeste de São Pedro de Atacama, em meio à Cordilheira do Sal, que tem extensão de mais de cem quilômetros.

No meio das pedras, é possível ouvir um barulho peculiar do sal cristalizado encravado nas rochas, que é o som do cristal se expandindo com a exposição ao sol. Recente ponto de visitação do Atacama, o Vale da Lua não era um local turístico até meados dos anos 1950s, quando cientistas e astrônomos começaram a se interessar pela região.

Depois da Antártida, o céu do Atacama é considerado o mais iluminado e propício para observação dos astros celestes. Como tudo no Atacama, até as formações rochosas têm explicações místicas.

No meio do Vale da Lua é possível ver as “Três Marias”, formadas pela erosão do vento, e que lembram três formatos de mulheres, uma delas com um bebê de colo. Ao lado, há outra formação, que lembra a cabeça de um dinossauro surgindo da terra.

Vale da Morte

Sem vegetação ou animais: praticamente nada sobrevive no Vale da Morte – um dos motivos que deu nome ao local.

Ainda percorrendo a Cordilheira do Sal, chega-se então ao Vale da Morte, onde não há animais ou vegetação. Nem por isso a paisagem deixa de atrair olhares curiosos.

Praticamente nada sobrevive no meio do Vale da Morte, um dos motivos que deu o famoso nome ao local, além de que, em tempos remotos, pessoas morriam tentando atravessá-lo, por conta de seus precipícios e caminhos estreitos. São exatamente as formas naturais produzidas nas rochas que tornam o lugar atraente.

Em São Pedro, uma rua que vale por uma cidade

Basicamente uma rua. O centro de São Pedro do Atacama pode ser resumido à famosa Rua Caracoles. Nem por isso faltam diversões, agito e serviços por lá. Na Caracoles, você encontra de artesanato e demais souvenirs a barzinhos, restaurantes, hostels e pequenos hotéis, aluguel de bicicletas e compra de passeios. O preço costuma ser acessível e a maioria absoluta dos lugares aceita pagamento em dólar, além do peso chileno.

A região sofre com movimentos tectônicos constantes, o que dá à paisagem uma visão única de montanhas contínuas. Por isso, pequenos tremores de terra são até esperados durante a sua estada por lá, assim como tempestades de areia.

Luciana Cristo
Hospedagem e compra de passeios também podem ser feitos na movimentada calle.

Para a hospedagem, há também opções mais luxuosas, como o Hotel Tierra Atacama, distante cerca de 20 minutos a pé do centro de São Pedro, que inclui passeios guiados no preço da diária.

Com sauna, piscina de água aquecida, jacuzzi, quartos com vista para o vulcão Licancabur e uma equipe de guias qualificados, o Tierra Atacama é, por si só, uma atração.

Aos adeptos de aventuras, a sugestão é o Hotel Explora, cuja proposta é ir além do “Atacama típico”. O projeto tem apenas uma pequena parte dedicada ao hotel propriamente dito.

A filosofia do lugar é que o hotel é apenas uma base para saídas e descobertas em outros lugares junto à natureza, seja por caminhadas, de bike ou cavalgadas, algumas até a Bolívia ou Argentina, com diferentes dificuldades técnicas.

Há opções inclusive para iniciantes e para famílias com crianças, mas mesmo assim é aconselhável um bom preparo físico para encarar as aventuras propostas. Curtir o trajeto, esquecer o relógio e escutar as histórias locais são palavras de ordem para quem quiser embarcar na aventura proposta pelo Explora, que conta também com um incrível observatório astronômico.

Segundo o Explora, eles têm o melhor equipamento amador para observação no, Chile, um telescópio de última geração equipado com um dispositivo que permite acoplar câmeras digitais para astrofotografias espetaculares.

Rendei graças à beleza das Lagunas Altiplânicas

Fotos: Luciana Cristo
No povoado de Socaire cultiva-se um tipo diferente de batata, de cor púrpura, por causa do solo vulcânico.

Acordar cedo rumo às Lagunas Miscanti e Miñiques, que fazem parte de um dos setores que formam a Reserva Nacional Los Flamencos, é um passeio imperdível pelo colorido natural da paisagem, pelos vulcões e pelos animais que se pode observar.

Vicuñas (que vivem somente acima de quatro mil metros de altitude e cuja carne é muito apreciada na região), lhamas, alpacas, flamingos e pássaros acostumados a baixas temperaturas e capazes de suportar inclusive a água congelada, além dos gansos andinos ou silvestres, são os atrativos da fauna do Atacama.

Nas lagunas, durante o dia, é possível pegar temperaturas variando entre zero e dois graus, numa altitude de mais de 4,1 mil metros. Para ir de uma laguna à outra, pode ser de carro ou caminhando – se tiver fôlego e conseguir enfrentar o vento cortante.

Tudo em volta conspira a favor para que se escolha a segunda opção. A partir de outubro, flores começam a cobrir o solo, dando um toque ainda mais especial às lagunas.

Para ir de uma laguna à outra, você pode fazê-lo de carro ou caminhando. Mas acredite: vale a pena enfrentar o vento cortante e ir a pé, para não perder nenhum detalhe do trajeto.

E, como tudo no Atacama, nas lagunas a simbologia também está presente. É tradição local, durante a caminhada, colocar uma pedra em cima de várias outras para deixar ali o seu cansaço e agradecer por tudo aquilo que a “mãe terra” fez, com um significado para cada pessoa.

No caminho de volta das lagunas, a surpresa é o povoado de Socaire, que preserva muitos costumes de seus ancestrais. Socaire é também o único local onde é possível encontrar um tipo diferente de batata, de cor púrpura, por causa dos vulcões. Tentativas de se plantar a leguminosa em outras regiões do próprio Atacama não deram muito certo. É ali que ela vinga. E só ali.

Projeto explora céu atacamenho

Esqueça o famoso telescópio Hubble. O potencial do céu do Atacama, mais que deixar turistas de boca aberta, despertou a atenção de astrônomos do mundo todo, que hoje se engajam no Projeto Alma (Atacama Large Millimeter Array), um observatório astronômico que fica a 5 mil metros de altitude, na Zona de Chajnantor, perto de São Pedro, e onde, no momento, só é permitido o acesso governamental.

Para 2012, dizem, está previsto um setor para o turismo. Por enquanto, o objetivo é conseguir um detalhamento de imagem dos astros celestes que chega a ser dez vezes melhor do que o Hubble.

Mais que isso, é um projeto ambicioso que pretende construir o radiotelescópio mais rápido do mundo, que poderá captar ondas especiais do universo e partículas que são novidade no mundo científico. À frente estão países europeus, os Estados Unidos e o Japão, que consideram o Alma como projeto de alta prioridade.

Pôr-do-sol em tons diversos no Salar

Divulgação
Crepúsculo no Salar do Atacama tem um toque especial, com direito a revoada de flamingos e uma visão incrível da luz irradiando na paisagem.

Como escreveu o autor chileno Luís Sepúlveda, no livro As rosas de Atacama, “ali as tens. As rosas do deserto, as rosas de Atacama., As plantas continuam ali, debaixo da terra salgada. Viram-nas os atacamenses, os incas, os conquistadores espanhóis, os soldados da guerra do Pacífico, os operários do salitre. Continuam lá e florescem uma vez por ano”.

Mesmo sem as flores, encarar um pôr-do-sol à beira de uma das quatro lagoas do Salar do Atacama, que faz parte da Reserva Nacional Los Flamencos, é um dos pontos fortes da viagem.

Para quem ainda não partilhou dessa experiência, é difícil convencer que esse pôr-do-sol é realmente peculiar, já que muitos vão dizer que pôr-do-sol é lindo em qualquer lugar.

Mas, uma vez no Salar do Atacama, até os mais céticos vão concordar que o ambiente, exatamente no meio da Cordilheira do Sal e dos diversos vulcões que cercam o lugar; o solo com cristais de sal; a revoada de flamingos e o silêncio tranquilizador e necessário da paisagem em volta dão um toque especial ao fim de tarde.

Maior reserva de lítio e sal do Chile – e uma das maiores do mundo – o Salar do Atacama também é chamado de a “grande esponja de água” pelas impressionantes crostas de sal resultantes da água que evapora da superfície.

Vapor e água caliente

Divulgação
Os jatos de água e vapor dos gêiseres podem chegar a 3 metros de altura, dependendo das condições climáticas.

Quem visita o Atacama tem uma parada obrigatória: os Gêiseres de Tatio, localizados a cerca de 90 quilômetros de São Pedro. É curioso principalmente para os brasileiros, já que não temos nada parecido por aqui com essas grandes colunas de água e vapor que brotam por meio de aberturas na superfície terrestre, a altas temperaturas.

O passeio pelos gêiseres começa cedo e para quem tem disposição: às cinco da manhã. O fenômeno natural, que é formado quando rios gelados subterrâneos se encontram com rochas quentes, pela pressão atmosférica, é melhor observado entre 6h30 e 8h. São os gêiseres mais altos do mundo, localizados a 4.320 metros de altitude.

Os jatos de água e vapor dos gêiseres podem chegar a três metros de altura, dependendo das condições climáticas. Em junho e julho, a temperatura no local pode chegar a 28 graus negativos.

No entanto, a água proveniente dos gêiseres tem temperatura de 85ºC, o que possibilita aos turistas esquentarem água para um chá ou um chocolate quente, molharem mãos e pés para se aquecerem e compensar as baixas temperaturas enfrentadas.

E, para os mais corajosos, até entrar em roupas de banho na água. Mas cuidado: na saída, você pode sentir ainda mais frio. Também é preciso prestar atenção por onde se pisa, porque a água pode começar a jorrar de um instante a outro, com risco de queimaduras.

Fotos: Luciana Cristo
Parada para visitar o vilarejo de Machuca: ali, 35 pessoas vivem isoladas do mundo.

Machuca

Na volta dos gêiseres, uma paradinha no minúsculo vilarejo de Machuca é a particularidade do passeio. São 35 pessoas que vivem isoladas, desde os anos 1930s. Dessas, apenas sete residem fixamente ali, já que as outras vão e voltam de São Pedro.

Depois de observar as lhamas, que fazem parte da paisagem, os mais corajosos podem experimentar os churrasquinhos feitos com carne desses animais. O cardápio só é encontrado em Machuca.

Há quem consiga comer churrasquinhos de lhamas após observá-las soltas no deserto.

Puritama

Aproveite as piscinas termais de Puritama e, de quebra, tome um vinho dentro da água.

Depois de dias de caminhadas, de exposição ao sol e ao frio intenso e a todas as emoções que o Atacama proporciona, os visitantes podem relaxar nas fontes das Termas de Puritama.

Com temperatura da água variando entre 25ºC e 30ºC, rica em minerais, vale a pena criar coragem e entrar. Aproveite para tomar um vinho também, que pode ser servido dentro da água mesmo.

Para chegar até lá, você pode ir de carro ou arriscar uma caminhada de cerca de duas horas e meia, considerada de nível moderado, no meio de rochas e arbustos, observando cactos de centenas de anos (eles crescem de um a dois centímetros por ano).

Durante a caminhada é possível encontrar o Rio Puritama e ver como ao longo de milhares de anos a água desapareceu do local – a marca da altura da água ainda está visível no meio das pedras.

Prepare-se para conhecer os vulcões

O Chile tem 150 vulcões ativos, o que representa 10% do total de atividade vulcânica mundial. No Atacama, as opções para se conhecer um vulcão de perto são várias.

Um dos vulcões ativos é o Lascar, com 5,6 mil metros de altitude. Quem pretende vencê-lo tem que ter um preparo ainda maior: como há muitos gases tóxicos na atmosfera, provenientes da atividade vulcânica, é recomendável subir o Lascar com máscaras.

Mesmo nos vulcões considerados mais tranquilos para subir, como o Cerro Toco, com a mesma altura do Lascar, o cuidado com a altitude não pode ser ignorado. Afinal, ela surte efeitos diferenciados em cada pessoa, independentemente se você é esportista ou sedentário.

Dores de cabeça, enjoo, vômitos, perda de orientação e perda momentânea da visão são alguns dos sintomas nos primeiros dias, até se acostumar à altitude. Por isso, a subida a um vulcão é indicada para quem já estiver pelo menos há quatro ou cinco dias no local e equipado com roupas, luvas e gorros adequados para suportar temperaturas abaixo de zero, variando entre -15ºC e -25ºC, pelo menos, além de fortes rajadas de vento, que podem chegar a cem quilômetros por hora. E, apesar das chuvas serem raras no Atacama, é comum nevar durante a subida a um dos vulcões.

A jornalista viajou a convite do Tierra Atacama e da LAN Linhas Aéreas

Para ir

Quem leva

A LAN Linhas Aéreas – www.lan.com ou (11) 2121-9000 – tem voo diário a partir de São Paulo, via Santiago, até Calama. Valor médio a partir de US$ 600 (ida e volta).

A TAM Linhas Aéreas – www.tam.com.br ou 4002-5700 (capitais) e 0800 570 5700 (demais localidades) – também opera o trecho até Santiago – a partir de lá a conexão é com a LAN. O preço da passagem Curitiba – Calama sai por US$ 518 (tarifa válida para estada mínima de dois dias no destino no período até 17 de julho e de 2 de dezembro a 6 de fevereiro).

Sugestões de pacotes

Pela Maktour – (11) 3818.2222 ou www.maktour.com.br

Aventura Gastronômica (2 a 7 de agosto). Valor por pessoa em apartamento duplo: US$ 2.953. Inclui aéreo (a partir de SP), cinco noites no Tierra Atacama (all inclusive, com programação especial para o evento), uma noite no The Ritz Carlton, em Santiago, com café, traslados e seguro viagem.

Dias de Vinho (27 a 30 de agosto). Valor por pessoa em apartamento duplo: US$ 2.036. Inclui aéreo (a partir de SP), três noites no Tierra Atacama (all inclusive, com programação especial para o evento), uma noite no The Ritz Carlton, em Santiago, com café, traslados e seguro viagem.

Pela Interpoint – (11) 3087.9400 ou www.interpoint.com.br

Aventura Gastronômica (2 a 7 de agosto). Valor por pessoa em apartamento duplo: US$ 2.683. Inclui aéreo (a partir de SP), cinco noites no Tierra Atacama (all inclusive, com programação especial para o evento), traslados e seguro viagem.

Promoção Dias de Vinho (27 a 30 de agosto). Valor por pes,soa em apartamento duplo: US$ 1.932. Inclui aéreo (a partir de SP), três noites no Tierra Atacama (all inclusive, com programação especial para o evento), traslados e seguro viagem.

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