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Freguesia do livro

Projeto de amigas curitibanas usa caixas recheadas de títulos pra estimular a leitura

As amigas Josiane, Ângela e Maria Luiza disseminam a literatura desde 2011

  • Por Samuel Bittencourt
Antônio More

Imagine encontrar o livro que você procura na porta dos lugares que sempre frequenta. Além de freguês do estabelecimento, você também consome o fantástico mundo da literatura sem custo algum, graças a uma pequena caixa azul recheada de títulos. Essa é a estratégia utilizada pela ONG curitibana Freguesia do Livro para formar leitores e agentes que incentivem o hábito da leitura.

As amigas Josiane Bibas, Ângela Duarte e Maria Luiza Mayr começaram a disseminar a literatura em 2011. Tudo começou com a paixão por livros das colegas de profissão e amigas de infância Josiane e Ângela, que largaram o emprego para se dedicar aos novos fregueses.

‘Depois de 25 anos trabalhando com consultórios de fonoaudiologia resolvemos que era hora de contribuir de outra maneira com as pessoas. Tinha muitos livros acadêmicos e de ficção que me ajudaram muito a crescer como pessoa. É muito empolgante quando lemos algo e sentimos que alguém pensa como nós‘, explica Ângela. A primeira biblioteca surgiu em uma escola na Vila Zumbi dos Palmares, em Colombo.

Outras escolas carentes de livros receberam reforço através das doações da Freguesia do Livro. Além de arrecadar e distribuir as caixas, o trabalho da ONG também visa formar leitores. ‘Não adianta apenas largar alguns livros por aí. Quando nos procuram em busca de uma caixa realizamos um cadastro no site para saber quem frequenta aquele local. A partir dessa informação separamos livros que possam interessar para esse público específico‘, revela Josiane.

Sucesso copiado

A iniciativa cresce e virou uma ONG que, graças à internet, está influenciando pessoas em outros municípios. ‘Quando aparecemos na internet, o primeiro contato veio de Xapuri, do Acre. Pessoas do Sudeste e Norte também entraram em contato. Como não temos viabilidade de ir até esses locais, ensinamos como funciona o projeto e criamos a carona literária. Caso eles saibam de alguém que irá realizar o trajeto de sua cidade até Curitiba, preparamos uma caixa para que a pessoa leve‘, diz.

Antônio More
Fátima: quem busca, geralmente volta com dois para doar.

Pontos dos livros

Não há restrição alguma para quem deseja incentivar a leitura. Universidades, escolas públicas, frutarias, igrejas, fábricas, empresas. ‘Semana passada distribuímos mais de mil títulos na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Os alunos ficaram maravilhados. Recebemos livros acadêmicos e aproveitamos para levar obras de literatura. Voltamos apenas com uma caixa quase vazia‘, recorda Josiane.

Para fazer parte da corrente, bastatero compromisso com a literatura. ‘Conversamos com as pessoas para quem elas se tornem agentes da literatura e passem a incentivar doações. Ensinamos como pode ser feit,a essa coleta, como pedir doações. Assim, o lugar que recebe nossa caixa consegue se manter independente da ONG‘, conta.

Para Fátima Varela Gregio, que trabalha na Frutaria São Francisco, no Ahú, uma das razões para o sucesso é a liberdade que o projeto dá ao leitor. O ponto já ficou conhecido na região pelo serviço extra. ‘As pessoas se espantam pela facilidade, mas esse é o objetivo. Até deixei uma cadeira para quem quiser sentar e ler. Atendo muitos aposentados e os livros fazem sucesso com eles. O interessante é que quem busca, geralmente volta com dois para doar‘, conta.

Conta ingrata

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelam que, em 2014, cerca de 13,2 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais, ou seja 8,3% da população, não sabiam ler nem escrever. O Ministério da Educação (MEC) estima que apenas 25% da população de alfabetizados leem algum livro. ‘Formar leitores é uma tarefa extremamente difícil. Muitos dizem que não gostam de ler, mas temos uma infinidade de temas. A leitura irá fazer a pessoa ser mais crítica, termais informações e se tornar cada vez mais independente. Acredito que quem afirma que não gosta de livros é porque ainda não encontrou um que lhe fizesse sentido. Esse trabalho exige paciência, mas é extremamente recompensador quando vemos a alegria de alguém contando uma história que acabou de ler e gostou‘, comenta.

Serviço

Para doar ou solicitar uma caixa da Freguesia do Livro

Facebook: Freguesia do Livro

contato@freguesiadolivro.com.br

Fones: (41) 9921-6465/9915-3878/9622-2117

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